TJ-SP concede liberdade provisória a dona de casa de repouso clandestina em Itapecerica da Serra
A maior parte dos idosos tinha problemas psicológicos e estava em péssimas condições de higiene, sem banho havia dias
São Paulo|Laura Lourenço, da Agência Record

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) concedeu liberdade provisória a Juliana Siqueira Prado Freitas, dona do imóvel no qual a polícia descobriu uma casa de repouso clandestina, em Itapecerica da Serra (SP). Ela havia sido presa na última quarta-feira (7).
A decisão é desta quinta-feira (8) e se dá diante das seguintes medidas cautelares: comparecimento mensal em juízo para justificar suas atividades; proibição de se ausentar da Comarca sem aviso prévio; recolhimento domiciliar no período noturno e em dias de folga; e, por fim, o comparecimento a todos os atos processuais.
Juliana também não poderá mudar de domicílio sem aviso prévio à Justiça.
O caso
Juliana foi detida depois que policiais encontraram 13 pessoas com idade entre 18 e 71 anos em condições precárias no imóvel, localizado em uma área rural da cidade da Grande São Paulo. Dois funcionários foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento.
Imagens obtidas pela reportagem mostram parte das pessoas em um cômodo apertado, cercado por grades, que se assemelhava a uma espécie de jaula. Outras fotos do local exibem uma cozinha improvisada no fundo do terreno, com um fogão a lenha, em que eram feitas as refeições dos internos.
De acordo com informações da Guarda Civil Municipal da cidade, a Vigilância Sanitária foi acionada por meio de uma denúncia para averiguar o local.
A GCM prestou apoio durante a ocorrência. Quando as equipes chegaram ao endereço, encontrarm uma igreja que funcionava na parte da frente; nos fundos, havia cômodos com grades, nos quais eram mantidos os idosos.
Ainda segundo a guarda municipal, a maior parte dos idosos tinha problemas psicológicos e estava em péssimas condições de higiene, sem banho havia dias, assim como o local em que eram mantidos. Muitos deles estavam bem debilitados fisicamente.
As equipes também encontraram alimentos que estavam vencidos havia mais de seis meses.
Os agentes apuraram no local que as aposentadorias e pensões dos idosos eram administradas por Juliana, a proprietária do imóvel. Aos agentes, ela informou que a intenção dela era ajudar essas pessoas, o que, segundo eles, não foi constatado no local.
Equipes da Polícia Civil estiveram no imóvel para realizar a perícia. O caso foi registrado no 1° Distrito Policial de Itapecerica da Serra como cárcere privado e maus-tratos.
Os internos foram levados a unidades de saúde para receber atendimento médico e psicológico. Posteriormente, serão encaminhados a abrigos da prefeitura.













