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Três assaltos por dia: Uber se transforma em alvo de ladrões em São Paulo

De janeiro a 16 outubro, motoristas e passageiros do aplicativo já sofreram 271 roubos

São Paulo|Do R7

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Explosão de assaltos ocorreu após aplicativo liberar pagamento em dinheiro
Explosão de assaltos ocorreu após aplicativo liberar pagamento em dinheiro

O pagamento em dinheiro para clientes do Uber fez explodir o número de casos de roubo a motoristas do aplicativo no Estado de São Paulo, no segundo semestre deste ano. Praticamente a cada dia, cerca de três motoristas do Uber são assaltados no Estado.

De janeiro a 16 outubro, os motoristas e passageiros do aplicativo já sofreram ao menos 271 roubos. Desses, 50 ocorreram até 29 de julho, data em que o aplicativo passou a aceitar dinheiro como pagamento — média de 7 casos por mês. De 30 de julho a 16 de outubro, a polícia contou 221 crimes — média de 88,4 por mês. São 2,7 casos por dia ou 1 caso a cada 8 horas (aumento de 1.162% em relação à média do período anterior).


A maior concentração dos casos é na capital, mas também há registros em cidades da região metropolitana e até em Campinas. Além dos crimes comuns, com motorista e passageiros reféns de motociclistas em semáforos ou outras emboscadas, uma das estratégias mais usadas pelos bandidos é a de criar um perfil falso no aplicativo e chamar a corrida.

Dentre os roubos, 121 deles ocorreram no local da chamada do motorista — 54,7%. Os motoristas também foram alvo de armadilha por falsos passageiros para serem levados até um ponto e serem roubados e até sequestrados pelos clientes.


Os dados foram tabulados pelo Estado, que solicitou todos os boletins de ocorrência contendo a palavra Uber à Secretaria da Segurança Pública (SSP) e analisou individualmente o histórico somente daqueles que tinham o motorista da empresa como vítima durante o serviço. Os números podem estar subnotificados, já que há motoristas que não registram boletim de ocorrência ou ainda que não detalham o nome da empresa em que trabalhavam ao registrar o documento na delegacia. Também não foram consideradas as estatísticas de furto.

Como comparação, é possível verificar que o crescimento dos casos envolvendo o Uber é bem maior do que o dos roubos no Estado. De janeiro a julho deste ano, a média mensal de roubos paulista foi de 26.666. Em agosto e em setembro, esse número ficou em 28.041, um aumento de 5,1% em relação à média anterior registrada.


Táxis

O Estado também tentou obter o número de roubos a taxistas, mas secretaria e os sindicatos de taxistas não souberam informar os dados. O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo (Sinditaxisp), Natalício Bezerra, diz que sentiu um aumento nas reclamações dos taxistas, mas que não existem estatísticas do tipo.


— Sabemos que aumentou porque os motoristas comentam. É por causa dessa crise toda no País. O motorista (de táxi) está muito exposto o tempo todo, não se sabe se quem entra é um bandido ou cidadão e a impunidade é muito grande.

O motorista e presidente da Associação dos Motoristas Parceiros das Regiões Urbanas do Brasil (Amparu), Nelson Bazolli, diz que já pediu soluções sobre os cadastros falsos de Uber, mas não teve retorno.

— A liberação de pagamento em dinheiro foi o gatilho para os bandidos acharem que o motorista parceiro tem dinheiro no carro. E não tem, porque o volume de corridas que eles fazem para pagamento em dinheiro é insignificante, comparado a taxistas, por exemplo. O Uber não dá apoio nenhum, dizem que não são responsáveis.

Ele conta que já cobrou, por carta e por e-mail, que a empresa criasse um botão de alarme para casos de emergência, como roubos, para que a empresa ficasse ciente dos episódios.

— Eles nem deram resposta.

O Uber diz que a segurança é importante para a empresa. 

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