Velocidade dos ônibus nos corredores exclusivos sobe, mas está longe da meta
Meta da gestão Fernando Haddad era de fechar 2016 com 25 km/h nas vias exclusivas
São Paulo|Do R7

A velocidade nos corredores de ônibus da capital subiu 5% em 2015, na comparação com o ano anterior. Os coletivos rodaram a 19,3 km/h, na média dos dias úteis. Em 2014, esse índice foi de 18,4 km/h. Dessa forma, a gestão Fernando Haddad (PT) ainda está distante de alcançar a própria meta: de fechar 2016 com 25 km/h nas vias exclusivas. Questionada, a prefeitura alega que iniciativas fora dos corredores e faixas exclusivas fizeram a velocidade média dos coletivos subir 54,5% no ano, de 11 km/h para 17 km/h.
Os dados oficiais foram publicados pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) no Diário Oficial da Cidade e levam em consideração informações relativas a 16 corredores de ônibus (considerando os dois sentidos). O Expresso Tiradentes, por ser uma via elevada, e o novo corredor da avenida Professor Luís Carlos Berrini, inaugurado em dezembro, não foram computados.
Segundo o TCM, o corredor que registrou a maior velocidade em 2015 é o que leva moradores de Parelheiros, no extremo sul da cidade, à região de Santo Amaro. Os ônibus alcançaram, no pico da manhã, a 22,8 km/h. Na contramão, o trajeto feito por quem mora no Jardim Ângela (zona sul) para o mesmo destino foi feito, no ano passado, a 15,2 km/h, no pico da tarde.
Ranking
A SPTrans (São Paulo Transporte), empresa que administra os ônibus da cidade, faz uma classificação dos corredores de acordo com suas velocidades. Os que estão acima de 20 km/h, em média, são "rápidos". Os entre 15 km/h e 20 km/h são os moderados. E os abaixo de 15 km/h são os "lentos". Por esse critério, só há sete corredores considerados rápidos na capital. Os demais estão na faixa moderada. Em 2014, eram seis vias rápidas e uma lenta, cuja velocidade estava abaixo de 15 km/h.
O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirma, porém, que essa metodologia passa por uma revisão por parte da gestão Haddad.
— Nós colocamos o corredor rápido como acima de 20 km/h, mas há vias em que, por características próprias, não há como o ônibus ter essa velocidade média. Pegue a Avenida Paulista, por exemplo. Com todos os semáforos e pontos de parada, mesmo à noite os ônibus não conseguem ter essa velocidade no corredor.
Tatto diz que, desde o começo da gestão, a Prefeitura vem usando os GPSs dos ônibus para monitorar a velocidade dos coletivos em pontos diferentes da cidade para identificar gargalos e "resgatar" os veículos dos congestionamentos.
— A gente criou esse modelo de meta antes de existir essa tecnologia.
Número de viagens volta a crescer, afirma SPTrans
E é com base nesse monitoramento, segundo Tatto, que novas ações são planejadas para melhorar o fluxo. Dessa forma, de acordo com a prefeitura, a velocidade média "compartilhada", incluindo os trajetos inteiros das linhas — em corredores, faixas exclusivas e vias comuns —, teria registrado aumento maior: a velocidade média sairia de 11 km/h, no primeiro semestre do ano passado, para 17 km/h no primeiro semestre deste ano. O governo argumenta ainda que os dados mais recentes da velocidade nos corredores, de 2016, ainda não foram enviados ao TCM e mostram avanço mais perto da meta dos corredores: média de 23 km/h.
O engenheiro de trânsito Luiz Célio Bottura, ex-ombudsman da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), faz ressalvas ao raciocínio.
— O que é preciso medir para testar a eficiência do sistema não é a linha, ou um trecho. É ver quanto tempo dura a viagem do cidadão da hora em que ele sai de casa até a hora em que chega ao destino. A viagem pode ser rápida, mas ele pode ter ficado muito tempo parado, esperando o ônibus chegar.
Sistema
O engenheiro e professor da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) Creso Franco Peixoto diz que a pequena variação positiva na velocidade só nas vias exclusivas não merece comemoração.
— Estatisticamente, não mudou nada. Os dados mostram uma estagnação. Os ônibus não ganharam nem sequer 1 km/h.
Para ele, o foco não deve ser só em aumentar a velocidade nos corredores, mas em controlar melhor todo o sistema.
— Isso faz com que o passageiro ganhe tempo.
Pelos corredores são feitas 142 milhões de viagens por mês, quase metade das viagens de toda a cidade.
Passageiros não sentem diferença no tempo de espera
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