Violência da PM na periferia e insegurança marcam desinteresse na Operação Delegada
População pede retirada de ação no Plano de Metas, ao mesmo tempo que oficiais rejeitam oferta
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

O desinteresse e a violência de lado a lado marcam a ociosidade de 1.300 vagas na Operação Delegada, nome dado ao “bico” oficiais dos policiais militares de São Paulo quando estão de folga. A prefeitura abriu para agentes da região metropolitana da capital a possibilidade de se inscreverem, após o baixo interesse dos oficiais paulistanos, mas o preenchimento das vags enfrenta outras barreiras.
Criada na gestão Kassab em 2009, a Operação Delegada visa engordar a renda dos oficiais, levando em conta que muitos deles possuem um segundo emprego para complementar os salários. O foco quando da criação era combater o comércio ambulante, principalmente no centro de São Paulo. Parte das vagas ociosas é relacionada à continuidade no trabalho, mas outra visa expandir a operação, o que gera problemas.
A proposta da gestão do prefeito Fernando Haddad era expandir a Operação Delegada para outros pontos da cidade, mais precisamente onde os índices de criminalidade são maiores, sobretudo no período noturno. Todavia, a proposta encontrou resistências, tanto da população quanto dos próprios policiais militares.
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Na semana passada, a secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leda Paulani, disse que a Operação Delegada deixou o Programa de Metas 2013-2016 a pedido da própria população, majoritariamente na periferia da capital. A razão, segundo ela, seriam as reclamações sobre a violência dos PMs nesses bairros.
— A população não quis. Veja bem, a Operação Delegada não é bem vista pela população. Porque consideram que a PM é violenta, enfim, tem uma série de restrições lá (nos bairros de baixa renda). Recebemos (reclamações) em quase todas as (35) audiências, a população não querendo que nada constasse de Operação Delegada.
Se os paulistanos carentes não quiseram que a oferta de mais policiais fosse aumentada, os oficiais também se recusaram a participar, diante da proposição de ir além do combate aos ambulantes.
— Muitos não quiseram ir (fazer patrulha nos bairros).
A questão da segurança municipal, conforme a própria secretaria disse, passa por uma atuação conjunta com a Secretaria de Segurança Pública, que responde ao governo do Estado. Não por acaso, o secretário estadual Fernando Grella endossou a proposta de preencher as 1.300 vagas ociosas na capital com agentes de municípios da Grande SP.













