Ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças de 5 a 9 anos, diz estudo
Psiquiatra explica como o transtorno pode se manifestar e destaca janela para tratamento
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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A ansiedade, por muito tempo associada principalmente à vida adulta, tem acendido um alerta cada vez mais cedo. Uma pesquisa inédita revela que a condição já é a principal causa de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos.
Em entrevista ao News das 19h, Christian Kieling, psiquiatra e líder do estudo da UFRGS e do Hospital Moinhos de Vento, explica as diferentes modalidades em que o transtorno pode aparecer na infância.
“Ele pode se apresentar tanto como ansiedade de separação, muitas vezes uma criança que pode ter dificuldade de ficar mais distante das suas figuras de ligação, pode se apresentar também mais para o final da infância, início da adolescência, mais típico, a ansiedade social, que é uma ansiedade em relações interpessoais, e também mais na frente pode se apresentar como quadros de ansiedade generalizada ou até mesmo transtorno do pânico, que seria aquela ansiedade mais aguda”, afirma.

A incapacitação citada na pesquisa diz respeito não a uma restrição total, mas a dificuldades que podem se apresentar no desenvolvimento de algumas funções. O médico destaca que, mesmo que a ansiedade seja um sentimento normal, ela se torna preocupante quando a reação se torna desproporcional ao contexto no qual a pessoa está inserida.
Segundo o estudo, uma a cada dez crianças na faixa etária em questão já apresenta um transtorno mental, sendo a ansiedade o mais frequente. Ainda que o estudo não investigue as razões por trás dos diagnósticos, Kieling reforça sua importância do ponto de vista da saúde pública, ao mostrar uma janela de oportunidade para prevenção.
“Esses transtornos mentais que começam no início da vida, muitas vezes, podem perdurar todo o ciclo vital. E se a gente vai atuar apenas lá na idade adulta ou mais na frente, a gente está perdendo a chance de ajudar a pessoa precocemente e às vezes até evitar que o transtorno se instale ou se cronifique. [...] Infelizmente, a gente sabe que muitas vezes o cuidado em saúde mental é visto como um luxo e não como um direito no nosso país. E, se a gente puder intervir precocemente, a gente vai ter ganhos não só naquele momento, mas inclusive lá para frente.”
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