Após infarto, paciente deve ter cuidados especiais para viver bem e evitar a morte

Situação pela qual passou Casagrande causa em geral dor no peito, sudorese e  palidez 

Casagrande sofreu um infarto e precisa ter hábitos controlados

Casagrande sofreu um infarto e precisa ter hábitos controlados

Adriana Spaca/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Dentre as doenças cardiovasculares, o infarto agudo do miocárdio é a causa mais letal e mais conhecida. No Brasil, segundo o Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) é a primeira causa de morte, com 100 mil óbitos por ano.

Para o cardiologista Alexandre de Matos Soeiro, supervisor do setor de emergência do Incor (Instituto do Coração), em São Paulo, um paciente que sobrevive a um infarto, como o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande Júnior, terá de tomar certos cuidados para o resto da vida para diminuir os riscos de nova ocorrência e ter uma vida saudável. Casagrande infartou no último dia 29 e recebeu alta na quarta-feira (3).

— São vários fatores que levam ao infarto. E eles precisam ser controlados em várias frentes: com medicamentos, com dieta adequada e com atividades físicas (a partir de cerca de 30 dias após a ocorrência). Quanto mais estes fatores estiverem controlados, menor a chance de a doença reaparecer.

Dor no peito, nos braços e enjoo podem ser sintomas de infarto

O infarto é o sintoma maior de uma doença que tem um histórico ligado a alimentação desequilibrada, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo, questões hereditárias e estresse, entre outros fatores. O clínico geral Décio Gurfinkel, do Pronto Atendimento do Hospital Metropolitano, explica que os sintomas, em geral, levam a pessoa a perceber a necessidade de procurar um hospital com urgência. Além da dor, ela fica pálida e passa a suar.

— O mais habitual é ocorrer uma forte dor no peito, com aperto, em geral do lado esquerdo do peito ou atrás do esterno (osso central). A dor é tão forte que hoje, pela divulgação da mídia, a pessoa logo percebe que algo está errado.

Estilo de vida e idade podem ter levado famosos ao infarto

No caso de Casagrande, conforme contou em entrevista à Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (8), o seu desconforto estava aumentando e por isso o seu filho Leonardo o levou ao hospital, onde foi atendido a tempo.

O tempo de atendimento é decisivo. Isto porque, no infarto, ocorre a morte do tecido da artéria, em função de sua obstrução total. Por falta de oxigênio, devido ao entupimento por placas de gordura, o músculo para de ser "alimentado" pelas coronárias (que nutrem o coração), o fluxo sanguíneo é interrompido, gerando dor e causando a falência do tecido, caso o processo não seja interrompido.

Com a o bloqueio da chegada de sangue ao músculo cardíaco, dependendo do grau, o coração para de funcionar, sendo comum levar à morte da pessoa ou a sequelas.

Gurfinkel, porém, diferencia o infarto da angina, que é uma situação anterior, de uma dor menos intensa, mas que precisa ser tratada rapidamente para que não se torne mais aguda.

— Às vezes o coração está em sofrimento, a pessoa sente uma dor ainda suportável, do lado esquerdo, pegando o braço, em um estado prévio ao infarto. Na angina, a dor chega a desaparecer. Quem sofre um infarto pode ter começado por meio da angina ou ter sofrido diretamente, com uma dor muito mais intensa.

As soluções variam de angioplastia a cirurgias mais complexas para desobstrução ou colocação de outros elementos que façam o trabalho das artérias. Após o cateterismo, que faz o diagnóstico, a angioplastia é capaz de desobstruir as artérias. 

Mas como pode ocorrer nova obstrução, Gurfinkel explica que existe uma mola que dá suporte à abertura das artérias, denominada stent.

— Se o indivíduo que sofreu infarto tomar os cuidados, vai ter a mesma chance de viver que uma pessoa que se cuida e nunca sofreu infarto. Mas os cuidados que ele precisa ter, como ingerir medicamentos e controlar a dieta, são para o resto da vida.

Fatores de risco

Segundo Soeiro, o consumo de cocaína também é um fator que tem potencial para contribuir com um infarto. Ele conta que a droga facilita o depósito de gordura nos vasos e pode influenciar mesmo anos após o indivíduo ter deixado de consumir a substância.

O álcool, segundo ele, não influencia diretamente nas artérias, mas é um fator de risco que, em grandes quantidades, pode causar arritmia e assim lesar células do coração, evoluindo para um quadro de insuficiência cardíaca. Em relação à idade, ele considera que, quanto mais velho, mais chances de um indivíduo ter um infarto, em função do maior tempo de acúmulo de gorduras.

Já o consumo de sal em excesso dá margens à hipertensão arterial, facilitando a alteração das paredes dos vasos coronarianos, algo que o tabagismo também provoca. O infarto costuma ocorrer mais em homens, mas, nos tempos atuais, Gurfinkel afirma que as mulheres entraram neste grupo de risco, por causa de tabagismo e do ritmo de vida acelerado.