Saúde Causa de infertilidade feminina pode ter origem na vida uterina

Causa de infertilidade feminina pode ter origem na vida uterina

Estudo publicado na Science mostra que síndrome de ovários policísticos, principal causa de infertilidade no mundo, é gerado ainda na barriga da mãe

  • Saúde | Deborah Giannini, do R7

Infertilidade seria definida no desenvolvimento do feto

Infertilidade seria definida no desenvolvimento do feto

Pixabay

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) afeta 10% das mulheres é a principal causa de infertilidade feminina no mundo. Embora haja uma especulação sobre sua origem, que poderia estar relacionada a um determinado gene ou à uma ação do meio ambiente, sua causa ainda é desconhecida.

Cada vez mais, pesquisadores estão considerando uma terceira alternativa: a vida no útero. Um estudo publicado nesta segunda-feira (14) na revista científica Science baseia-se nessa evidência.

Segundo o estudo, a forma como o problema é transmitido de uma geração para outra pode estar relacionado ao desenvolvimento do bebê no útero da mãe.

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O SOP tem sintomas bem característicos como deficiência na ovulação, presença de cistos nos ovários e excesso de pelos no rosto e no corpo.

Sabe-se também que eleva riscos de problemas metabólicos, como o diabetes tipo 2, e que existe um fator hereditário. A irmã de uma mulher afetada tem pelo menos 20% de chance de desenvolvê-la e o risco entre irmãs gêmeas idênticas é ainda maior, segundo informações relatadas no estudo.

A pesquisa, realizada com camundongos, sugere que as interações entre um hormônio produzido pelos ovários e um conjunto de neurônios no cérebro da mãe pode gerar um efeito cascata interrompendo enzimas na placenta e causando sintomas semelhantes aos da SOP em seus filhos, induzindo a síndrome do ovário policístico na idade adulta.

Os pesquisadores observaram que, a maioria das mulheres com SOP, apresenta níveis elevados do hormônio luteinizante (LH), que desencadeia a ovulação, indicando liberação aumentada em relação a mulheres saudáveis de mais dois hormônios: hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) e hormônio anti-Mülleriano (AMH).

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Os pesquisadores, então, fizeram testes com camundongos prenhes com esse nível elevado e acompanharam o fenótipo neuroendócrino da progenitora após a gestação.

O estudo observou um excesso de testosterona materno neuroendócrino e a diminuição do metabolismo placentário da testosterona em estradiol (outro hormônio), resultando em masculinização do feto feminino e um fenótipo reprodutivo e neuroendócrino parecido com o ovário policístico na idade adulta.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que hormônios como a testosterona, alimentados por AMH extras, podem estar pavimentando o caminho da síndrome do ovário policístico em fetos e isso pode ajudar a nortear o desenvolvimento de tratamentos mais adequados ao problema.

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