Saúde Desejos na gravidez, como de comer tijolo, têm fundamento. Entenda

Desejos na gravidez, como de comer tijolo, têm fundamento. Entenda

Alterações metabólicas e comportamentais influenciam as vontades da gestante; busca por nutrientes e querer 'comer tudo' leva a desejos bizarros

Desejos na gravidez existem? Médico explica por que eles ocorrem

Desejos na gravidez podem ser variados e até considerados bizarros

Desejos na gravidez podem ser variados e até considerados bizarros

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Desejo de comer uma fruta no meio da noite, vontade de comer banana com ketchup ou o apetite incontrolável por um sabonete. Os desejos mais diversos e inusitados são possíveis durante uma gestação. Mas afinal, por que eles ocorrem?

"Durante a gravidez, a mulher sofre uma grande alteração hormonal, o que faz com que ocorra mudanças no pensamento e no comportamento, que pode se tornar infantilizado, no sentido de querer comer de tudo. Algumas glândulas também funcionam de maneira diferente. A tireoide se torna mais lenta, fazendo com que o corpo procure alimentos calóricos e açucarados para gerar ânimo no corpo. Já a glândula suprarrenal libera hormônios pré-testosterônicos e estrogênio para o fortalecimento fetal e reduz os níveis de cortisol, dando a vontade de alimentos com mais carboidratos e gorduras para dar essa força", explica o ginecologista e obstetra Alberto d'Áuria, da Maternidade Pro Matre Paulista.

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O ginecologista afirma que a mudança emocional que a mulher sofre nesse período faz com que ela queira mais atenção. "O desejo implica também um certo charme, que faz o parceiro ter mais cuidados para atender a essa vontade. Isso pode criar uma dinâmica que aproxima mais o casal e os torna mais felizes", diz o médico.

Além das mudanças hormonais, na gravidez, as papilas da língua tendem a ficar hipertrofiadas para facilitar a detecção de alimentos que possam estar estragando. Com essa sensibilidade, a mulher acaba pedindo mais alimentos com sabor e fragrâncias marcantes, que estimulem as papilas gustativas e a produção de saliva, como o limão, o café e a pimenta vermelha.

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Esse estímulo de produção de saliva e para equilibrar o pH e a acidez da boca, junto das alterações comportamentais estariam associadas também a desejos mais bizarros, como a vontade de comer tijolo, terra ou cinzas. "Esses desejos estão relacionados também àqueles comportamentos infantilescos, como no primeiro ano de vida, em que a criança está percebendo texturas", explica d'Áuria.

Existe também a relação com falta de alguns nutrientes que podem dar essas sensações. Na gravidez, o corpo demanda uma maior quantidade de minerais e, caso a mulher não os reponha, o cérebro pode gerar esses desejos como um sinal para que as vitaminas sejam restituídas. "Durante a gestação, a parte sensorial fica mais atenta, então pode ser que a necessidade, por mais discreta que seja, se associada à questão hormonal, gere esse tipo de sintoma", completa o médico.

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O ginecologista afirma que alguns desejos, se cumpridos, podem também refletir nos gostos do feto. "Tudo o que a gestante consome cai na corrente sanguínea e o feto sente. Todos os comportamentos gestacionais desencadeiam comportamentos celulares do feto, sejam de estresse ou digestão", afirma d'Áuria. Dessa maneira, se uma gestante tem um determinado desejo neste período e o consome, por exemplo, a criança, no futuro, pode gostar ou não daquilo.

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O médico diz que não há regra para que os desejos apareçam ou não. Nos primeiros meses, devido à grande quantidade de hormônios, costumam aparecer os enjoos e também as vontades por substâncias que acelerem o esvaziamento do estômago, como gelo e sorvete. Entretanto, não existe um padrão para preferência ou para aparecimento das vontades.

O ginecologista afirma também que não há problema em não atender o desejo da grávida e que isso, diferentemente da crença popular, não fará a criança nascer com a "cara" do alimento ou com uma mancha em seu formato. 

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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