Saúde Estresse pós-trauma afeta cérebro, como mostra caso de Ariana Grande

Estresse pós-trauma afeta cérebro, como mostra caso de Ariana Grande

Cantora revelou tomografia em que áreas cerebrais aparecem ativadas após terrorismo em show; psiquiatra diz que transtorno causa alterações no órgão

Estresse pós-trauma afeta cérebro, como mostra caso de Ariana Grande

Ariana Grande começou a sofrer com TEPT após atentado terrorista em seu show

Ariana Grande começou a sofrer com TEPT após atentado terrorista em seu show

Reprodução/Instagram

A cantora norte-americana Ariana Grande, 25, compartilhou na última sexta-feira (12), nas redes sociais, uma foto de um exame que mostra as alterações sofridas por seu cérebro devido ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), comparando com a imagem de um cérebro saudável. A imagem foi compartilhada nos stories do Instagram da cantora, recurso que permite a visualização da foto durante 24 horas.

De acordo com o psiquiatra Luiz Scocca, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o transtorno pode provocar alterações emocionais, cognitivas e em determinadas áreas cerebrais e genéticas, ativando-as quando não deveriam. No exame de imagem, conhecido como PET scan, um tipo de tomografia, o médico afirma que, geralmente, é possível ver imagens em vermelho na área da amídala cerebral, mostrando as áreas mais ativadas. Nesses casos, os sinais estariam relacionados ao medo.

Ariana começou a enfrentar o TEPT após o atentado terrorista ocorrido em seu show em Manchester em maio de 2017, que vitimou 22 pessoas e a morte do seu ex-namorado, o rapper Mac Miller, em setembro de 2018, também afetou a cantora.

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"Certos traumas realmente nos modificam para sempre e isso mostra o quão ruim eles são para o ser humano", afirma o psiquiatra. Scocca explica que o TEPT trata-se de um transtorno que pode ser limitador para a pessoa que o sofre e pode ocorrer desde pequenos a grandes traumas sofridos pela pessoa e, até mesmo, pela fantasia de traumas ocorridos com outras pessoas. 

Segundo o psiquiatra, o transtorno pode fazer com que a pessoa reviva de maneira recorrente o trauma sofrido, seja com flashbacks e sonhos, sentimentos negativos, medo, preocupações com o futuro, e até fazer com que a pessoa evite situações ou lugares que levaram ao trauma, afetando o rendimento escolar ou profissional. Esses sentimentos podem fazer, inclusive, com que a pessoa comece a desenvolver sentimentos de depressão e ansiedade.

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Em alguns casos, o paciente pode apresentar uma variação de tempo até começar a ter os sinais do transtorno, demorando meses, por exemplo, até apresentar esse sentimento.

Scocca afirma que o tratamento de TEPT deve começar o mais rápido possível com a ajuda de um psiquiatra e um psicólogo e pode necessitar de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos. A psicoterapia e a terapia cognitiva devem ser associados à terapia medicamentosa.

O psiquiatra afirma que o ato de dividir a experiência com outras pessoas, como no caso de Ariana ao divulgar a fotografia de seu exame, faz parte da superação, assim como é feito em grupos de autoajuda.  

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"O transtorno pode ser superado, mas a memória fica para sempre. O que ocorre é que o trauma se torna uma cicatriz, e a gente pode conviver bem com ela, desde que a aceitemos", afirma Scocca sobre a cura do TEPT.

Quanto à permanência das alterações cerebrais, o psiquiatra afirma que a medicina ainda não sabe se o cérebro pode voltar ao que era antes, mas que isso está sendo estudando. 

De acordo com Scocca, a probabilidade de desenvolver TEPT varia conforme as características próprias de cada pessoa. Entretanto, o transtorno é mais comum entre mulheres, em pessoas que tenham propensão genética a desenvolvê-lo, pessoas que tenham depressão e ansiedade.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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