Linfoma não Hodgkin: entenda o câncer que causou a morte do cantor Netinho
Doença que vitimou o artista aos 59 anos reúne mais de 40 subtipos no sistema linfático.
Feed TV - Saúde|Do R7

A morte do cantor Netinho, aos 59 anos, provocada pelo retorno de um linfoma não Hodgkin, coloca em foco um grupo complexo de tumores que afetam o sistema linfático, estrutura essencial para a defesa imunológica do organismo. O artista estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, após a recidiva da enfermidade.
Netinho começou o tratamento contra a doença em março de 2025, alcançando a remissão ainda no mesmo ano. Em maio de 2026, o cantor comunicou que o câncer havia voltado de forma mais agressiva. Posteriormente, em junho, ele chegou a anunciar que havia recebido alta médica.
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O que é o linfoma não Hodgkin?
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o linfoma não Hodgkin (LNH) abrange mais de 40 tipos distintos de tumores. A característica comum entre eles é o surgimento desordenado de células malignas no tecido linfático. Como esse sistema está presente em todo o corpo, a doença pode ter início em variadas regiões e atingir órgãos externos ao sistema com relativa frequência.
O quadro pode se manifestar em crianças, adolescentes e adultos, embora seja diagnosticado com mais frequência na população idosa. A evolução varia amplamente conforme o subtipo: enquanto alguns casos se comportam de forma indolente, com progressão lenta, outros apresentam caráter agressivo.
Sintomas e diagnóstico
O sinal mais característico do linfoma não Hodgkin é o aumento dos gânglios linfáticos, identificado pelo surgimento de caroços ou inchaços no pescoço, nas axilas e na virilha. Os pacientes também podem apresentar febre, tosse, coceira na pele, suor noturno, perda de peso não intencional, cansaço, indisposição e fraqueza.
A confirmação e a tipagem precisa da doença dependem exclusivamente de biópsia. A análise histopatológica é o que define o padrão celular e direciona as condutas terapêuticas mais adequadas.
Tratamentos e prognóstico
As opções terapêuticas dependem diretamente do subtipo diagnosticado e podem incluir quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e transplante de medula óssea. Em determinadas situações, são indicadas terapias-alvo e o tratamento com CAR T-cell, técnica que reprograma as células T do próprio paciente para atacar as células cancerígenas.
Dados da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) apontam que as chances médias de cura ficam entre 60% e 70%, oscilando segundo a extensão do tumor e o perfil do paciente. O período de remissão antes de uma eventual recidiva também interfere diretamente no prognóstico.
“Pacientes que fizeram um tratamento de primeira linha e têm uma recaída da doença muito próximo ao término do tratamento tendem a ter uma evolução pior do que aqueles que tiveram um tempo longo de remissão e só têm uma recaída muito tempo depois”, afirma o médico hematologista Guilherme Duffles, da Universidade de Campinas (Unicamp), do grupo Oncologia D’Or e coordenador do Comitê de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH).
O especialista complementa que a condição clínica geral do indivíduo é decisiva: pacientes mais jovens ou sem comorbidades costumam tolerar melhor abordagens mais intensivas, que geram maior toxicidade, mas podem proporcionar respostas mais efetivas.
Diferenças em relação ao linfoma de Hodgkin
Apesar de ambos se originarem no sistema linfático, o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin constituem doenças distintas. No linfoma de Hodgkin, o diagnóstico é marcado pela presença das células de Reed-Sternberg, que funcionam como uma assinatura microscópica do tumor.
Além disso, o linfoma de Hodgkin costuma se disseminar de maneira mais contígua e previsível entre os gânglios. Ele possui picos de incidência em adultos jovens (de 20 a 35 anos) e em pessoas com mais de 60 anos, provocando sintomas como ínguas indolores, febre contínua, suor noturno e aumento abdominal.















