Técnicas de respiração ancestral ganham respaldo científico para alívio do estresse
Estudos recentes comprovam benefícios do breathwork para saúde e bem-estar
Feed TV - Saúde|Do R7

Uma área crescente da ciência tem dedicado atenção às técnicas de respiração consciente, conhecidas como breathwork, revelando seu potencial significativo para aprimorar a saúde e reduzir o estresse. Embora a respiração seja um processo involuntário essencial para a vida, pesquisas recentes, intensificadas nos últimos seis anos, demonstram que a aplicação de métodos ancestrais de controle respiratório pode trazer benefícios imediatos e de longo prazo para o organismo. Este campo de estudo, que conecta mente e corpo, está sendo explorado por universidades e centros de pesquisa em diversas partes do mundo.
A prática do breathwork não é uma novidade, tendo sido adotada por diferentes culturas há milênios, com exemplos como o pranayama indiano e o qigong chinês. A premissa central é que uma abordagem mais consciente e controlada da respiração, mesmo por poucos minutos diários, pode induzir um estado de calma e relaxamento. Abbie Little, pesquisadora de psicologia teórica e medicina da Universidade Griffith, na Austrália, descreve o breathwork como “uma prática antiga que está ressurgindo nos dias de hoje como o novo truque de mindfulness”. Embora muitas pessoas possam se beneficiar, gestantes e indivíduos com doenças respiratórias crônicas, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica, devem buscar orientação médica antes de iniciar essas práticas.
A ciência por trás da redução do estresse através do breathwork está se consolidando. O estresse crônico é um fator de risco para diversas doenças ligadas ao envelhecimento e transtornos mentais como ansiedade e depressão. Níveis elevados de hormônios do estresse, como o cortisol, podem agravar prognósticos em pacientes com câncer. David Spiegel, professor e vice-chefe do departamento de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, destaca que padrões anormais de cortisol podem prever a expectativa de vida em mulheres com câncer de mama avançado. Ele também aponta que muitas pessoas tendem a hiperventilar, respirando rápido e de forma ineficiente, muitas vezes pela boca, ativando o sistema nervoso simpático, associado à resposta de “luta ou fuga”.
A mudança na forma de respirar, mesmo que temporária, pode melhorar a regulação do sistema nervoso autônomo. Respirar devagar e profundamente pelo nariz, enchendo a barriga de ar, ativa o sistema nervoso parassimpático, que promove o “repouso e digestão”, enviando sinais de segurança e relaxamento ao corpo, conforme explica Abbie Little. Entre as técnicas estudadas, o suspiro cíclico, que envolve duas inspirações consecutivas e uma expiração prolongada, demonstrou melhora significativa no humor e na ansiedade em apenas cinco minutos diários, segundo David Spiegel. Outras técnicas, como a respiração em caixa (padrão regular de inspiração, pausa, expiração e pausa) e a respiração coerente (ritmo de seis ciclos por minuto, sincronizando respiração com frequência cardíaca), também são eficazes para controlar o estresse e melhorar a variabilidade da frequência cardíaca, um indicador de resposta eficiente ao estresse, como ressalta Guy Fincham, da Brighton e Sussex Medical School, no Reino Unido.
A consistência é um fator crucial para colher os benefícios do breathwork. Mesmo curtas sessões diárias, de três a cinco minutos, podem gerar impactos perceptíveis. Independentemente da técnica escolhida, o mais importante é a prática regular e a atenção à expiração completa para otimizar a capacidade pulmonar. Abbie Little enfatiza que “a primeira coisa é soltar todo o ar. Isso abre espaço para conseguir inspirar ar suficiente depois”. Para quem busca gerenciar a ansiedade, o excesso de pensamentos ou as pressões do cotidiano, o breathwork oferece um conjunto de ferramentas acessíveis para melhorar a regulação do sistema nervoso e, consequentemente, a qualidade de vida.














