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Ganhadores do Nobel de Medicina, três apaixonados por seu trabalho

Saúde|Do R7

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O neurologista americano de origem alemã Thomas Südhof estava no sul da Espanha nesta segunda-feira quando recebeu a notícia de que tinha ganhado o Nobel de Medicina de 2013 junto com os colegas americanos Randy Schekman e James Rothman.

"Está falando sério? Ai, meu Deus", reagiu Südhof com a voz trêmula quando um porta-voz do Comitê Nobel de Estocolmo deu a notícia em um telefonema para seu celular. "Sinto muito. Isto é um pouco inesperado".

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Os três cientistas foram premiados pela pesquisa sobre transportes intracelulares, um processo que contribui para o funcionamento normal do organismo, mas que também está na origem de doenças neurológicas, diabetes e transtornos do sistema imunológico.

"Rothman, Schekman e Südhof estabeleceram o mecanismo sofisticado que permite o transporte e a liberação das moléculas nas células", destacou o Comitê Nobel.

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O trabalho de Südhof se concentra em como se formam as sinapses no cérebro e como são enviadas as mensagens, com a finalidade de desvendar os mistérios do autismo e do Mal de Alzheimer.

Conhecido pela alta produtividade, Südhof, nascido há 57 anos em Göttingen, mas naturalizado americano, se destaca pela ética no trabalho, segundo seus colegas.

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"Minha esposa acha que estou louco", disse ao porta-voz do Comitê Nobel. "Eu me sinto incrivelmente motivado", reconheceu este pesquisador da Universidade de Stanford, na Califórnia.

Seu colega, James Rothman, de 63 anos, soube que tinha ganhado o Nobel em um telefonema às 04h30.

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"(A notícia) me acordou e me fez sentir muito bem", disse o cientista da Universidade de Yale durante coletiva concedida entre as duas aulas que tinha agendadas à tarde.

Na década de 1980, concentrando-se nos mamíferos, ele montou com Schekman o mapa de "componentes críticos do maquinário de transporte da célula".

"Todo mundo me disse que era uma loucura tentar reproduzir as coisas misteriosas e complexas que acontecem em uma célula", disse em entrevista publicada no site da Fundação Nobel.

Rothman elogiou os colegas, com quem trabalhou em estreita colaboração, e descreveu suas pesquisas como "complementares e às vezes competitivas".

Schekman e Rothman compartilharam o Prêmio Lasker para a pesquisa médica básica em 2002, considerado um dos mais respeitados da ciência, considerado o Nobel dos Estados Unidos. Südhof também ganhou o Prêmio Lasker em 2013.

Randy Schekman, de 64 anos, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, é o pioneiro dos três. Ele iniciou suas pesquisas nos anos 1970, quando começou a estudar a base genética da célula usando como modelo a levedura.

Para o pesquisador, "as conquistas não são desconhecidas", disse um porta-voz da universidade ao apresentá-lo em uma coletiva de imprensa.

Schekman lembrou suas origens de classe média e as dificuldades iniciais de seu trabalho, como as recusas que sofreu ao tentar bolsas de pesquisa nos primórdios de sua carreira.

Ele contou que inclusive chegaram a dizer: "Agora você pode publicar esse seu lixo" em uma revista chamada Atas da Academia Nacional de Ciências (PNAS, na sigla em inglês), da qual mais tarde se tornou editor-chefe.

O cientista atribuiu seu êxito a seus professores e às aulas que dá a estudantes da graduação.

"Isto me ajuda a conseguir me explicar diante de plateias que não sabem sobre o meu trabalho", disse.

Os três cientistas dividirão um prêmio de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão).

ksh/rcw/ad/ja/mvv/dm

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