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Saiba quais são os riscos de pegar covid-19 em uma praia lotada

Infectologista explica que apenas estar ao ar livre não garante segurança e diz que o ideal seria delimitar espaço e tempo para ficar no local

Saúde|Brenda Marques, do R7

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Movimentação na praia do Arpoador (RJ) no domingo (6), véspera de feriado
Movimentação na praia do Arpoador (RJ) no domingo (6), véspera de feriado

Há duas semanas, as praias de São Paulo e do Rio de Janeiro têm ficado lotadas e com aglomerações. Como se não houvesse pandemia, o movimento foi intensificado pelo feriado prolongado, cenário que favorece a disseminação do novo coronavírus, mesmo ao ar livre, e contraria as medidas de prevenção recomendadas por autoridades de saúde.

O governo de São Paulo afirmou que os efeitos dessa situação serão sentidos em duas semanas. De acordo com a infectologista Lina Paola, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o risco de infecção é alto, caso nenhuma orientação para evitar o contágio - como distanciamento e uso de máscara - seja respeitada.


"É um pouco difícil [de estimar o risco] porque estamos em um local aberto. Mas se não há nenhuma regra, as chances de se infectar são em torno de 70%. Você está muito mais exposto do que se não estivesse em uma aglomeração", destaca.

Ela explica que apenas o fato de estar ao ar livre não garante segurança porque a presença de muitas pessoas próximas facilita o contato com alguém que esteja infectado e, portanto, com gotículas contaminadas expelidas na fala, tosse ou espirro.


"Há o risco de tocar nessa pessoa e em objetos que foram manipulados por ela e acabaram contaminados com gotículas", detalha. "Mas as correntes de ar levam embora os aerossóis [pequenas partículas líquidas contaminadas que ficam suspensas no ar]", acrescenta. 

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A possibilidade de tocar objetos e superfícies contaminadas e, em seguida, colocar as mãos nos olhos, nariz ou boca e contrair o vírus justifica a proibição do uso de guarda-sol e cadeiras na areia da praia. Mas a restrição foi ignorada por muitos turistas.

"O problema do guarda-sol e de objetos é que eles acabam sendo transferidos de pessoa para pessoa sem que haja uma desinfecção. Então, o risco de estar com grande quantidade de vírus é muito alto, porque você tosse, espirra e põe a mão em cima daquilo", observa Lina.


A médica ainda ressalta que o ideal seria ter utensílios de uso pessoal e intransferível. "Mas o que a gente vê na praia é que todo mundo fica com todo mundo e partilham os objetos"

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Muitas pessoas também dispensaram a máscara e ficaram ainda mais expostas. Segundo a infectologista, este item só poderia ter sido descartado se houvesse diretrizes de segurança bem estabelecidas e elas fossem respeitadas. "Quando não está se cumprindo nenhuma regra, o ideal é manter a máscara e levar álcool em gel".

De acordo com Lina, para garantir que todos pudessem ir à praia com segurança, deveriam ser delimitados espaços com distância mínima de 3 metros entre cada um e tempo limite de permanência na praia para as famílias.

A Prefeitura do Rio de Janeiro cogitou testar um aplicativo para agendamento de espaços na areia da praia, mas desistiu da ideia após receber críticas da população.

"Ali, no espaço com a família, poderia abandonar a máscara. Mas se for caminhar ou ter contato com alguém de fora precisa usar", pondera.

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