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Sem remédio ou vacina, saiba como pacientes se recuperam da covid-19

Medicamentos já existentes e respiradores são ferramentas utilizadas para que o sistema imunológico do próprio paciente combata o novo coronavírus

Saúde|Guilherme Carrara, do R7*

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Oxigenação adequada à imunidade contribuem para recuperação do paciente
Oxigenação adequada à imunidade contribuem para recuperação do paciente

Apesar dos esforços de pesquisadores no mundo todo, o tratamento da covid-19 ainda não dispõe de um remédio próprio. Os médicos contam apenas com os medicamentos já existentes e com os equipamentos de UTI, como o respirador, para fazer o sistema imunológico, que é proteção natural do corpo, combater o novo vírus, explica o infectologista Gerson Salvador, do Hospital Universitário da USP, em São Paulo.

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“Cerca de 80% dos infectados pelo coronavírus apresentam sintomas leves que o próprio corpo, mesmo sem o auxílio respiradores mecânicos ou internações”, afirma.

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As defesas naturais do corpo formam uma “barreira” contra o coronavírus ou outros patógenos que possam causar danos ao corpo.

“O sistema conta com duas formas de defesas. A defesa inata, como a pele e as mucosas, e a adaptativa, que é a imunidade que criamos ao entrar em contato com bactérias e vírus. Quando o coronavírus entra no corpo, quebrando as defesas inatas do infectado, penetra nas células e começa a se multiplicar", explica a imunologista Carolina Aranda, do Departamento Científico de Imunodeficiências da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

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"O corpo então reage liberando citocinas, um hormônio que estimula a produção de anticorpos contra o vírus por meio do linfócitos, que então o neutraliza, impedindo que ele entre nas células saudáveis e piore o quadro do paciente”, diz ela sobre a reação do corpo em relação à doença. 

O próximo passo do corpo é produzir imunoglobulinas, ou igG, imunidade do corpo para aquele vírus, uma espécie de memória para não ser reinfectado. Mas, a especialista ressalta que não existem testes conclusivos sobre quanto tempo dura essa memória, por isso, não se deve se expor ao coronavírus por já ter sido contaminado.

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Papel dos remédios

Carolina explica que existem três fases da ação do vírus no corpo e destaca que os medicamentos que temos têm ação apenas em fases específicas, mas que os testes ainda não demonstraram uma melhora efetiva.

Quanto a cloroquina, Gerson Salvador tem uma postura clara.

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“Os estudos disponíveis até agora apontam para ineficácia, além de aumento de eventos adversos como arritmias cardíacas, em pessoas com covid-19 em uso de cloroquina. Baseados nas presentes evidências, as sociedades nacionais e internacionais de infectologia são contra o uso da cloroquina em qualquer fase da doença", completa.

Leia mais: Saiba como é o processo para achar um remédio eficaz contra a covid-19

“Alguns antivirais podem ser usados para que o vírus não se multiplique, que seria o estágio dois da doença. E, por fim, quando o corpo todo do paciente está inflamado usa-se o tocilizumabe, que impede que a inflamação leve o paciente à morte. Levando isso em conta, não acredito que teremos um remédio único em breve”, conclui sobre o uso desses medicamentos no tratamento da covid-19.

Ambos os especialistas afirmam que o vírus ainda é desconhecido em muitos sentidos e o método mais eficiente para combater a pandemia é o isolamento social. “É necessário ficar em casa, ficar em casa e ficar em casa”, enfatiza o infectologista.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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