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Vontade súbita de comer doce pouco tem a ver com fome. Entenda

Alimentos ricos em carboidratos são fontes de serotonina, um importante neurotransmissor que aumenta sensação de prazer e bem-estar

Saúde|Aline Chalet, do R7*

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Arrumar a mesa pode ajudar a evitar compulsões
Arrumar a mesa pode ajudar a evitar compulsões

Por que muitas pessoas têm uma vontade súbita de comer doce? A explicação nada tem a ver com fome, mas tem um fundo psicológico e químico. 

“Não é fome. Quando estamos com fome, comemos qualquer coisa. Ninguém sente vontade de comer agrião, normalmente é sorvete, pizza, pudim”, afirma o psiquiatra Arthur Kaufman, que foi coordenador do Prato (Programa de Atendimento ao Obeso) do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP).

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Kaufman explica que carboidratos (e aí entram os doces) e alimentos calóricos estimulam a produção de serotonina — neutrotransmissor que atua, entre outras funções, no humor — e levam a uma sensação de prazer e bem-estar. “As compulsões ocorrem sempre na busca por serotonina.”

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Além do processo químico, existem associações inconscientes a determinados alimentos.

“É a parte mais psicológica. Se quando você era pequeno, tinha chocolate nas festas, você associa chocolate a comemoração. Se quando você ficava triste, sua mãe te dava sorvete, você recebia carinho através do sorvete”, explica.

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O psiquiatra afirma que o chocolate é um caso à parte, porque ele possui muitas substâncias químicas ligadas ao bem-estar — a cafeína é uma delas.

“Oficialmente, não é patologia [doença], assim como a obesidade também não considerada doença psiquiátrica, mas os próprios chocólatras consideram que possuem um comportamento doentio.”

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O nome dado à vontade exagerada de um alimento específico é fissura. Segundo Kaufman, depois de um episódio de compulsão, as pessoas não se sentem bem e algumas têm um sentimento de culpa muito intenso.

Como driblar o desejo

Kaufman explica que o tratamento utilizado para pessoas que possuem compulsão alimentar é o uso de antidepressivos com acompanhamento psicoterápico. “Na psicoterapia você se conhece, conhece seus hábitos e aprende a se controlar”, explica.

O psiquiatra dá três dicas para lidar com o desejo de doces e outras comidas específicas. “A primeira é não ficar muito tempo em jejum. A maior parte das compulsões acontece no final da tarde, quando a pessoa já está há muito tempo sem comer.”

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Outra dica é ganhar tempo quando for ter a compulsão. “Não comer na frente da geladeira com a porta aberta. Quando for comer, coloque a toalha na mesa, prato, copo, talheres, uma florzinha.” Dessa forma, sugere o médico, o sentimento impulsivo vai diminuindo.

Por último, Kaufman indica que a pessoa tenha um kit emergência. “Se você já está perdendo, é melhor que não perca vergonhosamente. Então se você for ter a compulsão, é melhor que na sua casa tenha um doce de frutas cozidas sem açúcar, do que um bolo cheio de chantilly, algo que sacie a vontade, mas não prejudique tanto.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

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