Tecnologia e Ciência Atraso na entrega lidera queixas das compras online. Fuja das armadilhas

Atraso na entrega lidera queixas das compras online. Fuja das armadilhas

Mais de 90 mil reclamações foram feitas no 1º trimestre de 2018 pelo não cumprimento de prazos. Internet movimentará R$ 2,2 bi só no Dia dos Pais

Principal queixa é o atraso da entrega de produtos

Principal queixa é o atraso da entrega de produtos

Pixabay

Deixar para comprar pela internet o presente na véspera do Dia dos Pais pode ser uma decisão arriscada. A principal reclamação contra lojas online no país é o atraso na entrega do produto adquirido.

Um levantamento publicado pelo site Reclame Aqui mostra que, no primeiro trimestre deste ano, mais de 90 mil pessoas registraram algum problema com o cumprimento do prazo de entrega pelos sites de compra eletrônica. Em comparação com o mesmo período de 2017, houve um aumento de 34%.

Pelo acompanhamento feito pela Fundação Procon-SP, a demora ou a não entrega das compras é a principal queixa todos os anos desde 2014.

O que fazer?

Geralmente, os consumidores conseguem rastrear o produto pela internet. Ao perceber que a entrega está atrasada, a empresa deve ser procurada para esclarecimentos sobre a compra.

“O primeiro passo é entrar em contato com a loja para verificar o que está acontecendo. Caso não obtenha um posicionamento ou a resposta seja evasiva, uma reclamação pode ser registrada no Procon ou pode ser solicitado o cancelamento da compra”, explica Fátima Lemos, assessora técnica da Fundação PROCON-SP.

Segundo o Código de Defesa do Consumidor, é possível "desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial."

Procon-SP tem lista de sites para serem evitados

Procon-SP tem lista de sites para serem evitados

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Como evitar?

As lojas que prestam serviços ruins costumam ter uma má fama na internet e nas redes socais. Com uma breve pesquisa na rede é fácil encontrar outros consumidores insatisfeitos.

“Antes de concluir uma compra, pesquise bastante e procure saber como foi a experiência de outros clientes. Tenha cuidado com sites desconhecidos, promoções atraentes demais e preços muito abaixo da média. Em caso de dúvida, procure a lista. Evite esses sites”, recomenda Fátima.

A lista Evite Esses Sites é organizada pela Fundação Procon a partir da análise das reclamações feitas pelos consumidores. 

Outra dica é verificar se a página da internet contém um atendimento ao consumidor, um endereço administrativo e o nome de um responsável. A ausência dessas informações pode ser um sinal de que a loja não é confiável ou a página é falsa e foi criada para aplicar golpes.

Outro risco

O prejuízo financeiro é apenas um dos riscos de comprar em uma loja virtual com má fama. Outra possível consequência é a de ter dados pessoais roubados ao clicar em uma promoção suspeita ou ao preencher um cadastro falso.

“Os dados pessoais têm grande valor e é preciso ter atenção. As fraudes estão cada vez mais sofisticadas e a cautela é maneira mais fácil de se proteger”, afirma Fátima.

O Relatório da Segurança Digital, publicado nesta segunda-feira (6), pelo dfndr Lab, especializado em cibersegurança, foram detectados mais de 120 milhões de ciberataques só nos primeiros seis meses de 2018 — número 95,9% maior que o registrado no mesmo período de 2017.

No segundo trimestre deste ano, dois golpes ocorreram com maior frequência: o phishing via aplicativo de mensagens (36,6 milhões de detecções) e a publicidade suspeita (12,2 milhões de detecções). Em ambos os casos, quem está procurando por bons presentes a um preço mais em conta são vítimas em potencial.

"Na dúvida, não clique em nenhum link ou anúncio de produto recebido por e-mail ou por aplicativo de mensagens. O ideal é conferir no site oficial se a promoção existe mesmo", explica Fátima.

A advogada Patrícia Borsato, da Comissão de Direito Digital da OAB-SP e especialista em direito digital orienta os consumidores caso de tenham dados roubados: "Procure a Polícia Civil para fazer um boletim de ocorrência. Pelo Marco Civil da Internet, é possível encontrar o IP do criminoso para e tentar descobrir a origem do golpe.”

Projeções para o Dia dos Pais

A ABComm (Associação Brasileira de Comercio Eletrônico) estima que o comércio eletrônico sozinho deve movimentar R$ 2,2 bilhões no Dia dos Pais, um crescimento de 8% quando comparado com 2017. A data deve movimentar no total R$ 14 bilhões pelos dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes e Lojistas).

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