Carregamento ultrarrápido deve alimentar nova geração de smartphones, diz especialista
Saiba se a sua bateria irá finalmente começar a durar o dia inteiro
Tecnologia e Ciência|Do R7*

Carregar o smartphone todos os dias – até duas vezes no mesmo dia – se tornou uma coisa comum. Mas isso não deve continuar assim nos próximos anos: o carregamento será muito mais rápido, eficiente e sem fios. Os dias de levar o carregador na bolsa, no carro ou pedir emprestado para os colegas do trabalho estão contados?
A resposta de Motorola, LG, Samsung e várias outras é “sim”. A sul-coreana LG, por exemplo, ao lançar o LG G3, forneceu uma plataforma específica para que o celular pudesse ser carregado sem o uso de fios.
O membro do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos) e CEO da empresa iFixit, Kyle Wiens, explica que esse tipo de carregamento é feito a partir do campo magnético.
— Nos celulares que suportam esse tipo de carregamento, as empresas colocam um elemento adicional na parte traseira do aparelho para que seja possível criar um campo magnético que, por sua vez, induz uma bobina a criar uma corrente elétrica.
Já o carregamento wireless tem dado os seus primeiros passos nos últimos meses. Apesar de ainda ser um campo pouco explorado, a possibilidade de poder carregar o smartphone à distância, como se estivesse conectado na internet, anima muitas pessoas.
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Por parte das empresas grandes, a sul-coreana Samsung anunciou no início deste ano que estava realizando testes para lançar no mercado um aparelho que pudesse carregar por meio de wireless os dispositivos móveis da marca. Não existe previsão para que este aparelho chegue ao mercado.
Já a startup norte-americana uBeam, fundada pela ex-pesquisadora da Nasa Meredith Perry, está desenvolvendo uma bateria que poderia ser conectada a uma tomada normal e carregasse todos os dispositivos móveis de uma sala.
De acordo com informações do The Next Web, o carregador consegue converter eletricidade em som, cujas ondas ultrassônicas são enviadas pelo ar. O dispositivo receptor desenvolvido pelo uBeam seria conectado aos dispositivos eletrônicos, como uma espécie de antena, e conseguiria transformar essas ondas em eletricidade novamente.
Apesar dos resultados serem promissores, Kyle Wiens afirma que essa tecnologia ainda possui muitas limitações.
— O carregamento por wireless é dramaticamente mais lento que o carregamento comum. Apesar de não trazer interferências à conexão de internet normal, de uma perspectiva de eficácia esse tipo de carregamento não é uma boa ideia.
E as baterias comuns?
As baterias feitas de lítio, que são utilizadas em todo e qualquer eletrônico móvel, como smartphones, tablets e notebooks, devem continuar no mercado por ainda bastante tempo. Nos últimos dez anos, esse tipo de bateria sofreu poucas modificações, mudando apenas a amperagem e o tamanho.

Mas então, por que as baterias atuais parecem durar menos tempo que antigamente? De acordo com Kyle, a grande questão é a quantidade de vezes que elas são carregadas pelo usuário.
— Antigamente, as baterias de celular duravam mais porque elas não tinham que ser carregadas tão frequentemente. As baterias costumam ter um tempo de vida de 400 carregamentos, após isso elas começam a perder a eficiência. Por isso que elas precisam ser substituídas mais vezes.
Por isso, hoje em dia é mais do que importante seguir algumas dicas para que as baterias durem mais tempo. Conhecer bem o seu próprio dispositivo para saber quais aplicativos gastam mais bateria e evitar usá-los, por exemplo, pode ser mais eficiente do que andar com um carregador na bolsa. Além disso, ambientes muito quentes fazem com que a bateria acabe mais rápido, por isso, deixe seu celular ou tablet em um local fresco.
Baterias ultrarrápidas
De todas as novidades no mundo das baterias, uma das que mais prometem revolucionar a maneira como lidamos com os nossos smartphones é o carregamento ultrarrápido. Em alguns países, várias marcas já lançaram aparelhos que são inteiramente carregados em poucos minutos. No País, a pioneira foi a Motorola com o Moto Maxx.
O gerente de produtos da Motorola Renato Arradi explica que as baterias “turbos” funcionam a partir de três elementos.
— O carregador deve ser diferente dos comuns, o smartphone tem um circuito eletrônico também preparado para essa nova tecnologia e a própria bateria possui suas diferenças para que ela consiga aguentar uma quantidade de carga maior em menos tempo, além de armazená-la de maneira eficiente.
As baterias ultrarrápidas também possuem a mesma vida útil que as baterias comuns. Mesmo que ela seja utilizada de maneira diferente, ela também deve continuar com a sua capacidade máxima por no mínimo 400 carregamentos.
Além disso, Renato explica que as recargas “turbos” não interferem no período entre os carregamentos.
— Depois que você recarregou a bateria turbo, a entrega de energia é igualzinha à das baterias comuns, dependendo, é claro, do seu uso no dia a dia.
Esse tipo de carregamento ainda está sendo desenvolvido por completo, mas é provável que a próxima geração de smartphones já apresente essa tecnologia. Pelo jeito, ter que se preocupar em ficar durante o dia sem bateria será um problema inexistente no futuro.
* Colaborou Isabella Santoro, estagiária do R7















