Tecnologia e Ciência Cientistas criam microrrobôs Pac-Man capazes de se reproduzir

Cientistas criam microrrobôs Pac-Man capazes de se reproduzir

Criados por meio de inteligência artificial, os nanobots são feitos a partir de células presentes em ovos de sapos

Robôs 'vivos' aprenderam a criar novos indivíduos empilhando células

Robôs 'vivos' aprenderam a criar novos indivíduos empilhando células

Reprodução

Cientistas norte-americanos anunciaram nesta semana o primeiro robô vivo criado em computador, com capacidade para se reproduzir. Apelidados de "Pac-Man" por terem o mesmo formato do personagem clássico de videogame, esses seres são criados com o auxílio de inteligência artificial.

Os autômatos, que ganharam o nome de xenobots, são minúsculos e criados a partir de células presentes na pele do ovo de sapos. Segundo um dos pesquisadores, o professor da Universidade de Vermont Josh Bongard, apesar de serem criados com matéria orgânica, os xenobots são chamados de robôs porque podem ser direcionados a funções específicas.

"Nós juntamos essas células sob certas condições. Esse grupo de células de sapo se mantém naquela forma e começa a se mover em água doce em uma placa de Petri por vontade própria", explica Bongard.

"Foi só nas últimas décadas, na era de Hollywood, que nós passamos a pensar em robôs como homens ou mulheres de metal. Na verdade, trata-se do que eles fazem. E esses xenobots poderiam, na teoria, fazer trabalhos úteis a favor das pessoas, é isso o que os torna robôs", resume.

Durante os experimentos, os cientistas notaram que os xenobots, conforme iam se movendo, empurravam pequenos pedaços de células uns sobre os outros, formando pilhas. Isso os levou a pensar no que aconteceria se eles substituíssem esses pedaços por novas células de sapo, como as usadas para criar os pequenos seres.

"O resultado é o que publicamos nesta semana: eles empurraram essas células de sapo em pilhas. Células, sob certas condições, são pegajosas. Então, as células empilhadas vão aderir ou grudar umas nas outras e, em um período de cinco dias, se a pilha for grande o suficiente, vão surgir também esses pequenos cabelos, esses pequenos cílios, e a pilha vai começar a se mover. Essa é a, entre aspas, 'criança xenobot'", relata o cientista.

Segundo ele, esse método de reprodução é algo inteiramente novo, jamais registrado pela ciência e diferente da forma como todos os animais e plantas fazem "cópias" de si mesmos.

Os cientistas esperam que, no futuro, os xenobots possam ter diversas aplicações, especialmente na área médica, já que com seu tamanho reduzido eles podem viajar na corrente sanguínea das pessoas, por exemplo, e fazer intervenções no nível celular.

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