Cientistas regeneram perna de rã e querem usar técnica em humanos
Aplicação de coquetel de medicamentos fez animais voltarem a nadar normalmente após 18 meses
Tecnologia e Ciência|Lucas Ferreira, do R7

Cientistas da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, conseguiram regenerar pernas amputadas de rãs com um coquetel de cinco medicamentos. O processo total de reconstrução do membro levou 18 meses e teve um resultado satisfatório para os pesquisadores.
Com exceção das unhas e membranas entre os dedos, as rãs tiveram a recuperação total de pele, vasos sanguíneos, nervos e parcial dos óssos. Assim, os animais conseguiam usar a nova perna para nadar normalmente
Entre as drogas usadas para o desenvolvimento dos membros estavam hormônios do crescimento, anti-inflamatórios e inibidores de colágeno para evitar o surgimento de cicatrizes.

Em entrevista ao portal Insider, a pesquisadora líder do estudo, Nirosha Murugan, disse acreditar que a tecnologia de regeneração pode ser aprimorada para o uso em humanos em um futuro próximo.
“O aspecto da engenharia biomédica está realmente fazendo estes novos avanços para entender e consertar a biologia. Acho que esta integração fará [a regeneração em humanos] acontecer em nosso tempo de vida.”
Apesar do otimismo de Murugan, outros pesquisadores da área não apresentam previsões parecidas com a da cientista. Kelly Tseng, da Universidade de Nevada, afirma que a regeneração é estudada há mais de três séculos e sem grandes avanços para os humanos.
“A regeneração tem sido estudada por mais de 300 anos. É um dos tópicos mais antigos da biologia e é um assunto difícil para se estudar”, explica Tseng.
Naturalmente, os humanos têm alguns aspectos de regeneração de órgãos. O fígado, por exemplo, pode crescer após ter mais de 90% removido e crianças podem regenerar as pontas dos dedos.
Diferente das rãs — que são anfíbios —, os mamíferos buscam cobrir suas feridas com tecido de cicatrização, com o objetivo de impedir a reprodução de tecidos danificados. Neste caso, o próprio corpo humano trabalha contra a regeneração de um membro.
A expectativa é que o avanço da tecnologia de regeneração ajude os pacientes que sofrem de dores fantasmas — quando uma parte do corpo é amputado, mas a pessoa continua tendo a sensação de que o membro está junto ao corpo.











