Curtidas podem impactar saúde mental de jovens? Entenda como funciona algoritmo das redes
Segundo especialistas, adolescentes ficam presos ao ciclo de estímulos proporcionados por curtidas e engajamento
Tecnologia e Ciência|Rafaela Soares, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O debate sobre o uso seguro das redes sociais por crianças e adolescentes ganhou força após a denúncia e prisão do influenciador digital Hytalo Santos, suspeito de tráfico de pessoas e exploração infantil.
Um dos pontos centrais da discussão é o algoritmo utilizado por essas plataformas — uma espécie de “receita” que orienta o sistema sobre o que mostrar a cada usuário.
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Segundo Felipe Salvatore, sócio-fundador da Myhood, startup que licencia vídeos virais e conteúdos gerados por usuários, mais de 90% dos conteúdos consumidos em redes como Instagram e TikTok são recomendados pela própria plataforma.
“Esses algoritmos analisam métricas de navegação do usuário, como taxa de retenção, curtidas e comentários, e passam a recomendar vídeos semelhantes aos que despertaram interesse anteriormente”, explica.
O especialista acrescenta que o conteúdo é categorizado em “clusters” — agrupamentos como stand-up, calistenia, dança de rua ou relógios de luxo.
“Essa categorização leva em conta elementos da postagem [legenda, hashtags, sons] e também o perfil do público que interage com ela. Ou seja, um conteúdo criado com um propósito pode acabar sendo exibido para um público completamente diferente, dependendo de quem está engajando”, pontua.
O problema surge quando essa lógica é aplicada a contextos sensíveis, como destacou o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, em vídeo recente.
Segundo ele, as plataformas falham em dois pontos principais:
- A simples presença de conteúdos que expõem crianças já é, por si só, extremamente problemática. Com a recente reinterpretação do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, as empresas deveriam agir preventivamente para remover esse tipo de material — e podem ser responsabilizadas judicialmente caso não o façam.
- Mais grave ainda é o uso da própria tecnologia de recomendação para direcionar esse tipo de conteúdo a indivíduos com interesses criminosos, tratando-o como um “nicho” de interesse.
Curtidas x saúde mental
Uma pesquisa divulgada em fevereiro pela SaferNet mostrou que mais de 80% das crianças entre 6 e 8 anos usam internet e celular, e o impacto das redes também se reflete na saúde mental do público infantojuvenil.
Segundo Ana Claudia Favano, educadora, psicóloga e gestora da Escola Internacional de Alphaville (Barueri-SP), os jovens ficam presos ao ciclo de estímulos proporcionados por curtidas e engajamento.
“Hoje, os adolescentes estão tendo um valor equivocado de si próprios. Passam a acreditar que só têm importância se alguém curtiu suas fotos. Isso compromete a autoestima, porque a opinião do outro passa a ser mais importante do que o que eles realmente são”, afirma.
A especialista lembra que a exposição precoce não é novidade, mas se intensificou com as redes sociais.
“Antes, a preocupação recaía sobre crianças artistas, como cantores e atores. Hoje, qualquer pessoa tem o mundo na palma da mão pelo celular. Além disso, pais e responsáveis, muitas vezes bem-intencionados, também contribuem ao expor a vida dos filhos online desde o nascimento”, completa.
Pontos de atenção
Segundo Ana Claudia, alguns sinais podem indicar exposição precoce ao mundo adulto:
- Interesse excessivo por aparência física e padrões estéticos incompatíveis com a idade (roupas vulgares, exposição desnecessária do corpo);
- Insistência no uso de produtos de tratamento para adultos, como cremes antirrugas e ácidos antienvelhecimento;
- Preocupação exagerada com dinheiro e futuro;
- Uso frequente de gírias e expressões adultas;
- Comparação e disputa excessiva com colegas por notas escolares;
- Reproduzir comportamentos sensuais ou amorosos;
- Perda do interesse por brincadeiras e jogos infantis;
- Mudança abrupta de comportamento, assumindo responsabilidades além da capacidade;
- Busca por amizade com grupos de adultos ou colegas bem mais velhos.
Perguntas e respostas
Qual é o contexto do debate sobre o uso seguro das redes sociais por crianças e adolescentes?
O debate ganhou força após a prisão do influenciador digital Hytalo Santos, que é suspeito de tráfico de pessoas e exploração infantil.
Como funciona o algoritmo das redes sociais?
O algoritmo é uma “receita” que orienta o sistema sobre o que mostrar a cada usuário. Segundo Felipe Salvatore, mais de 90% dos conteúdos consumidos em redes como Instagram e TikTok são recomendados pela própria plataforma, que analisa métricas de navegação, como taxa de retenção, curtidas e comentários, para sugerir vídeos semelhantes aos que despertaram interesse anteriormente.
O que são “clusters” e como eles afetam o conteúdo exibido?
Os conteúdos são categorizados em “clusters”, como stand-up, calistenia, dança de rua ou relógios de luxo. Essa categorização considera elementos da postagem, como legenda, hashtags e sons, além do perfil do público que interage com ela. Isso significa que um conteúdo pode ser exibido para um público diferente do que foi originalmente pretendido.
Quais são os problemas identificados nas plataformas sociais?
O youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, destacou que as plataformas falham em dois pontos principais, especialmente em contextos sensíveis. Uma pesquisa da SaferNet revelou que mais de 80% das crianças entre 6 e 8 anos usam internet e celular, e o impacto das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes é significativo.
Como as redes sociais impactam a autoestima dos jovens?
A educadora e psicóloga Ana Claudia Favano afirma que os jovens ficam presos ao ciclo de estímulos proporcionados por curtidas e engajamento, levando a um valor equivocado de si mesmos. Eles passam a acreditar que sua importância depende das curtidas em suas fotos, o que compromete a autoestima, pois a opinião dos outros se torna mais relevante do que a percepção de si mesmos.
Como a exposição precoce nas redes sociais se intensificou?
A exposição precoce não é uma novidade, mas se intensificou com as redes sociais. Antes, a preocupação era com crianças artistas, como cantores e atores. Hoje, qualquer pessoa pode ter acesso a um público amplo através do celular, e pais muitas vezes contribuem para essa exposição ao compartilhar a vida dos filhos online desde o nascimento.
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