Estudante brasileiro premiado com voo espacial passa por treinamentos
Rapaz de 23 anos venceu um concurso e está se preparando para ir ao espaço
Tecnologia e Ciência|Agência Brasil
“A Terra é azul”, foi o que disse o russo Yuri Gagarin, primeiro homem a ir ao espaço, ao ver o planeta à distância no dia 12 de abril de 1961. Desde essa descrição, as imagens da bola azul rodaram o mundo, gerando em muitos uma vontade quase infantil de viver a experiência de atravessar a atmosfera terrestre para vagar no vazio do Universo.
O estudante de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Nehmem, de 23 anos, será o primeiro civil brasileiro a realizar o sonho de muitos e ver o que Gagarin descreveu.
Em 2013, Pedro ganhou o concurso realizado por uma empresa de aviação holandesa e garantiu lugar na nave que voará de 45 a 60 minutos à 103 quilômetros de altitude, ficando cinco a seis minutos na gravidade zero. Os testes com o veículo começam no segundo semestre e a previsão é que a viagem ocorra ainda este ano. O voo suborbital acontecerá a bordo da nave Lynx Mark II, da empresa XCOR Aeroespace.
— Eu vou ver a Terra azul, de fora, com o céu todo preto. Receber a notícia foi uma experiência diferente, quase assustadora.

A preparação oficial de Pedro está sendo feita desde março de 2015. O treinamento para ir ao espaço é dividido em duas etapas. A primeira consiste em práticas de hipergravidade, que submetem a pessoa a gravidades altas. A última experiência do estudante nesse tipo de treinamento foi com a Força Aérea Brasileira (FAB), a bordo do avião de caça F-5 EM, do Esquadrão Pampa, na terça-feira (16).
Segundo Nehmen, a experiência foi tranquila, especialmente porque já havia se preparado, em março, numa centrífuga do Nastal Center, na Filadelfia, Estados Unidos.
— O treinamento é focado no perfil do voo, então eu estou sendo submetido às mesmas acelerações do voo espacial para sentir na prática como vai ser. É bem rápido. Para se ter ideia, na subida atingimos 40 mil pés em 5, 6 minutos, enquanto um avião comum demora meia hora para fazer o mesmo trajeto.
O estudante passou por dois dias de treinamento na centrífuga para que aprendesse a reconhecer as forças a que será submetido. O exercício na máquina que simula gravidade alta consiste basicamente em contrair os músculos inferiores e do abdômen para que o sangue circule normalmente pelo corpo durante a alta aceleração, evitando que migre para os pés e músculos inferiores e cause desmaios.
— Fazendo o exercício, rapidamente você começa a sentir tudo voltando ao normal, incluindo a retorno da visão periférica, que também é comumente perdida durante a aceleração. Eu comecei a enxergar como se fosse num binóculo, mas ao contrair os músculos, voltei a enxergar direito.
Para a segunda etapa do treinamento, de microgravidade, Pedro vai para Moscou experimentar a sensação de gravidade zero.
Todo o treinamento está sendo financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB). Como contrapartida, Nehmem levará um experimento da AEB para o espaço.

Além dos exercícios, Pedro também passou por testes físicos no Instituto de Medicina Aeroespacial da FAB e está cuidando do condicionamento físico. Emagreceu 15 quilos desde novembro de 2014, com atividade física diária e alimentação equilibrada.
— Todos esses treinamentos estão me deixando mais confiante, mais seguro para a viagem. Passar por tudo isso sem ter problema nenhum é um bom indicativo de que na viagem eu não terei nenhum problema, dado que as situações são quase as mesmas.
Em 2013, a empresa KLM lançou um balão no deserto de Nevada, no Estados Unidos, e perguntou a altitude em que o balão estouraria. A pessoa que acertasse o ponto ganharia uma viagem espacial. Pedro errou por 14 quilômetros, mas foi o que chegou mais perto. Mais de 129 mil pessoas participaram da seleção.











