Tecnologia e Ciência Índia suspende sua missão ao inexplorado polo sul da Lua

Índia suspende sua missão ao inexplorado polo sul da Lua

Operação foi abortada faltando 56 minutos para lançamento após um problema técnico ser detectado e nova data será anunciada em breve

Índia aborta missão para explorar polo sul da Lua

Índia aborta missão para explorar polo sul da Lua

Pixabay

A Índia suspendeu neste domingo (14) o lançamento da sua segunda missão à Lua, a Chandrayaan-2, com a qual pretende explorar o polo sul do satélite, uma tarefa jamais realizada por nenhum país.

"Foi detectado um problema técnico no sistema do veículo de lançamento (...) Como medida de extrema precaução, cancelamos hoje o lançamento da Chandrayaan-2", informou no Twitter a Organização de Pesquisa Espacial da Índia (ISRO).

A mensagem foi divulgada quando faltavam dez minutos para o lançamento, previsto para 2h51 (horário local, 18h21 de domingo em Brasília) e que aconteceria de uma plataforma na base de Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh.

Segundo a agência espacial indiana, o "problema" foi detectado quando faltavam 56 minutos para a decolagem.

"A nova data de lançamento será anunciada mais tarde", concluiu a ISRO, sem fornecer mais detalhes.

Composto de uma sonda que orbitará ao redor da Lua, um módulo de alunissagem e o veículo lunar propriamente dito, esta missão substitui a Chandrayaan-1, lançada em 2008 e que conseguiu fazer mais de 3.400 órbitas ao redor do satélite.

A previsão era que o veículo aterrissasse no até agora virgem polo sul da superfície lunar em 6 ou 7 de setembro com a intenção eminentemente científica de descobrir mais sobre a composição mineral do satélite e a presença de água, embora essa data agora precisará ser revisada.

Depois, a missão exploraria a superfície lunar durante 14 dias, nos quais percorreria cerca de 500 metros, enquanto a sonda permaneceria em órbita lunar durante pouco mais de um ano para obter informação do satélite terrestre.

Se finalmente a missão for encerrada com sucesso, dada a dificuldade de completar uma aterrissagem controlada na Lua, a Índia se transformaria no quarto país a realizar uma alunissagem, depois de Estados Unidos, Rússia e China.

O país desenvolveu o veículo lunar com seus próprios recursos, e não com ajuda russa como estava inicialmente previsto, embora a missão estivesse programada inicialmente para pouco depois do primeiro lançamento à Lua em 2008.

Com um dos programas espaciais mais ativos do mundo, a Índia começou a colocar satélites na órbita terrestre em 1999 e faz parte do exclusivo grupo de países que dispõem de sistema de navegação por satélite, no qual figuram Estados Unidos (GPS) e Rússia (GLONASS), entre outros.

As conquistas da ISRO ficam mais acentuadas quando se leva em conta que contou com um orçamento em 2017-18 de 1,176 bilhão de euros, frente aos 17,401 bilhões da Nasa em 2019.

Suas missões à Lua e a Marte, assim como seus econômicos lançamentos de dezenas de satélites de forma simultânea, contribuíram para que muitos países escolhessem a nação asiática para pôr em órbita seus aparatos de tamanho reduzido.

Entre os próximos objetivos da ISRO estão a colocação em órbita de sua própria estação espacial, missões a Vênus e ao Sol e seu primeiro envio tripulado ao espaço.