Sérgio Sacani: ‘Agora a questão não é só irmos lá, pisar e ganhar. É ter uma presença contínua na Lua’
Geofísico e youtuber acompanhou de perto o lançamento e retorno da Artemis 2 e analisa os avanços e desafios da missão espacial
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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Na sexta-feira passada (10), os astronautas da Artemis 2 retornaram à Terra após uma missão histórica, que levou o ser humano ao ponto mais distante já explorado até então: 400 mil km de distância. O sucesso da missão é um bom sinal para o futuro do novo programa da Nasa (Agência Espacial Americana), que tem como objetivo levar a humanidade de volta à Lua.
O maior problema enfrentado pela tripulação no hostil e solitário ambiente do espaço foi inesperado: complicações no banheiro dificultaram a rotina dos quatro astronautas. O contratempo, entretanto, era exatamente o que a Nasa queria analisar com a missão, afirma o geofísico e youtuber Sérgio Sacani: “O intuito da missão era testar tudo que a cápsula tem para o ser humano. [...] Será que ela está apta a suportá-los e trazê-los de volta?”.
Sacani aponta que a Artemis 2 estava tão focada em resolver tal questão que a cápsula Orion nem possuía a capacidade de pousar na Lua. “Na verdade, ela nunca foi feita para isso. Quem vai pousar são missões comandadas pela SpaceX e pela Blue Origin”, esclareceu o geofísico no Link News desta segunda (13). Um aspecto que tanto as futuras missões quanto a de agora compartilham, entretanto, é o overview effect.
Um fenômeno usado para definir as mudanças psicológicas e reflexões elaboradas após ver a imensidão do espaço contrastada com a pequenez da Terra. “Muitos astronautas voltam até com a cabeça ‘bugada’. [...] Eles falam que, quando enxergam o planeta sem a divisão das fronteiras, eles têm esse efeito”, explica o especialista.
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O sentimento será um dos desafios enfrentados pela próxima geração de exploradores, que agora possui um objetivo ainda maior do que o das missões originais: “Agora a questão não é só irmos lá, pisar e ganhar. A questão é uma presença contínua na Lua”. A descoberta recente da presença de água, terras raras e hélio-3 no satélite motiva os novos esforços, que agora possuem um forte interesse comercial.
“Só que demorou, né? A gente não pesquisou a Lua como deveria ter pesquisado”, lamenta Sacani. O geofísico enxerga um futuro em que a humanidade utiliza o local como uma fonte de mineração; mas, para poder alcançar tal cenário, dados sobre o comportamento do corpo humano no espaço precisarão ser analisados. Dessa forma, um dia um astronauta poderá permanecer por longos períodos no ambiente espacial.
Sérgio Sacani ainda aponta uma das maiores questões mundiais: a quem pertence a Lua? Segundo ele, já foi proposta uma versão do Tratado de Tordesilhas, como a de 500 anos atrás, dividindo o astro ao meio e dando suas porções às potências mundiais atuais. Além disso, o geofísico enfatiza que, apesar de menor que a Terra, a Lua é um astro grande e, por conta disso, qualquer tipo de expedição e exploração em sua superfície não tende a ser totalmente negativa.
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