Paixão por videogames ajuda a aproximar pais e filhos

Para os pais da nova geração, conciliar a paternidade e o mundo dos jogos eletrônicos também passa por dividir a atividade com as crianças

O streamer Jhonny Rylston é dono do canal 'Pai Também Joga', com mais de 1 milhão de inscritos

O streamer Jhonny Rylston é dono do canal 'Pai Também Joga', com mais de 1 milhão de inscritos

Arquivo pessoal

Os pais da nova geração cresceram, multiplicaram e resolveram dividir com seus rebentos a paixão pelo universo dos games. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sioux Group em 26 estados, 71% dos pais brasileiros jogam jogos eletrônicos com seus filhos. A atividade, que nas décadas anteriores era vista pelas famílias até como um estímulo à agressividade das crianças, ganhou a flexibilidade dos novos adultos e se tornou uma forma legítima de passar um tempo com os filhos: questionados pela pesquisa, 56,6% dos pais gamers discordam que os jogos podem ter uma influência negativa.

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É o caso do youtuber e streamer Jhonny Rylston, de 29 anos, pai de Ashley, de 10 anos, e Sofia, de 6 . Ele é dono do canal “Pai Também Joga”, que tem mais de um milhão de inscritos e é pioneiro nas transmissões online do jogo Fortnite. As recordações do mundo dos games como uma forma de passatempo de qualidade, segundo conta Jhonny, vieram da infância, quando jogava com os amigos em um Super Nintendo.

“Foi o primeiro videogame que joguei”, conta o youtuber. “Isso me marcou muito, pois reuníamos os amigos para jogar. Conforme minhas filhas foram crescendo, elas também se interessaram pelos jogos e começaram a pedir para jogar juntos. Acabou se tornando uma paixão em comum, que aproxima ainda mais a nossa relação.”

O administrador de empresas Diogo Moreno, de 36 anos, também transferiu sua paixão de infância para o filho Giovanni, de 9 anos: “É bom porque ajuda na coordenação motora e raciocínio”, explica. Segundo Moreno, a franquia Zelda está entre seus jogos favoritos. “Até competimos para ver quem descobre mais coisas nos jogos.” 

Entre as maiores preocupações dos pais gamers, segundo a pesquisa da Sioux, estão a adequação dos jogos à faixa etária e tempo de tela, ressalva de 72,4% dos entrevistados, que reconhecem o caráter viciante da atividade.

“Jogo só aos finais de semana por motivo de trabalho. Ele também, por conta da escola”, explica Diogo. "Vez ou outra jogamos à noite, mas nunca quando ele está em época de provas.”

Como pai de duas meninas, o influenciador Jhonny Rylston também aponta o machismo como uma ressalva importante. Ele e a esposa Izabelle, que é dona do canal ‘Mãe Também Joga’, tentam conscientizar os seguidores de que as mulheres também fazem parte do universo dos games, e apostam nas novas gerações.

O cenário feminino no e-sports está crescendo cada vez mais e o que eu mais desejo é que minhas filhas possam jogar e serem felizes sem preconceitos.
Jhonny Rylston

O nome do canal ‘Pai Também Joga’ é uma provocação sobre conciliar a paternidade à vida de streamer. Segundo o youtuber, não há obstáculos: “Como meu estúdio fica em casa, eu posso fazer uma live e no momento seguinte já posso sentar à mesa e almoçar com elas, conversar, ajudar nos deveres da escola.”

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