Parlamento britânico aprova reprodução assistida com DNA de três pessoas
Tecnologia e Ciência|Do R7
Londres, 3 fev (EFE).- A Câmara dos Comuns do Reino Unido deu sinal verde nesta terça-feira à técnica que utiliza o DNA de três pessoas na reprodução assistida com o fim de evitar a transmissão de doenças genéticas. Os deputados aprovaram esta técnica, denominada doação mitocondrial, por 382 votos a favor e 128 contra. Se a legislação, que passará agora à Câmara dos Lordes, prosperar, o Reino Unido se transformará no primeiro país a legalizar a reprodução assistida com genes de três pessoas. Embora o governo britânico tenha dado seu respaldo ao procedimento, os deputados puderam hoje exercer o voto livre, sem se submeter à disciplina de seus partidos, por se tratar de um tema muito sensível. A vice-ministra de Saúde e Assistência Social, a conservadora Jane Ellison, disse na Câmara dos Comuns que a técnica é "a luz no final do túnel para muitas famílias", como é o caso de Sharon Bernardi, de Sunderland (Inglaterra), que perdeu sete crianças por doenças mitocondriais. "Para o parlamento, este é um passo audaz, algo no qual se pensou muito", explicou Ellison. Os cientistas estimam que cerca de 2.500 mulheres no Reino Unido poderiam se beneficiar deste procedimento, que conta com o apoio de vários cientistas de todo o mundo. A técnica, que foi desenvolvida por pesquisadores de Newcastle, utiliza uma versão modificada da fertilização "in vitro" para reunir material genético dos dois pais, mais o de uma terceira pessoa - uma mulher com mitocôndrias saudáveis. O tratamento intervém no processo de fertilização para eliminar as mitocôndrias defeituosas da mãe e substituí-las pelas da doadora. As mitocôndrias são partes da célula que atuam como geradoras de energia e, se forem defeituosas, podem dar origem a problemas de coração, transtornos cerebrais ou cegueira. O procedimento foi elaborado para ajudar famílias com predisposição genética a este tipo de doenças, que passam de geração em geração por linha materna e afetam cerca de um de cada 6.500 crianças no mundo todo. EFE jp/id















