Tecnologia e Ciência Twitter inicia plano de demissões após ser comprado por Elon Musk

Twitter inicia plano de demissões após ser comprado por Elon Musk

Quase 4.000 funcionários da rede social deverão ser despedidos a partir desta sexta; usuários temem estímulo a discurso de ódio

Elon Musk pagou 44 bilhões de dólares para adquirir Twitter

Elon Musk pagou 44 bilhões de dólares para adquirir Twitter

REUTERS/Dado Ruvic/Illustration - 27.10.2022

O Twitter começou a demitir nesta sexta-feira (4), de acordo com um memorando enviado aos funcionários, e vários trabalhadores entraram com uma ação que alega que a mudança do novo proprietário, o bilionário Elon Musk, viola a lei trabalhista dos EUA.

Um email enviado a toda a empresa, com sede em São Francisco, obtido pela AFP anuncia que os funcionários do Twitter receberão uma mensagem no início das operações na sexta-feira, horário da Califórnia, sobre seu destino.

Embora o Twitter não informe o número exato de demissões, o Washington Post e o New York Times informaram que cerca de metade dos 7.500 funcionários da plataforma será afetada.

"Em um esforço para colocar o Twitter em um curso saudável, iniciaremos o difícil processo de reduzir nossa força de trabalho global", afirmou o email.

Os funcionários estão se preparando para o downsizing desde que Musk concluiu sua aquisição de 44 bilhões de dólares da empresa no fim da semana passada e moveu-se rapidamente para dissolver seu conselho de administração e demitir seu CEO e executivos seniores.

Na quinta-feira, um grupo de cinco funcionários do Twitter anteriormente demitidos entrou com uma ação coletiva contra a empresa que alega que eles não receberam o período de aviso-prévio de 60 dias exigido pelas leis federais e estaduais dos EUA.

O processo faz alusão à Lei de Notificação de Ajuste e Reciclagem de Trabalhadores dos EUA (Warn, na sigla em inglês), que dá aos trabalhadores o direito de aviso-prévio em caso de demissão em massa ou fechamento de fábricas.

Os responsáveis pela ação também pedem ao tribunal que impeça o Twitter de pedir aos funcionários que assinem documentos para renunciar a seus direitos.

Fechamento temporário de agências

O email enviado na quinta-feira instruiu os funcionários do Twitter a não se apresentarem ao trabalho na sexta-feira. "Nossos escritórios serão temporariamente fechados, e todas as credenciais de acesso serão suspensas", dizia a mensagem.

Ele também dizia que o Twitter está passando por um momento "incrivelmente desafiador".

"Reconhecemos que isso afetará muitas pessoas que fizeram contribuições valiosas ao Twitter, mas infelizmente essa ação é necessária para garantir o sucesso da empresa no futuro", acrescentou o texto.

Alguns funcionários, no entanto, não esconderam suas críticas ao processo iniciado por Musk, engenheiro de 51 anos nascido na África do Sul, com cidadania americana e canadense e fundador das empresas de veículos elétricos Tesla e de engenharia espacial SpaceX.

"O atual processo de demissão é uma farsa e uma vergonha. Os lacaios da Tesla estão tomando decisões sobre pessoas das quais nada sabem... É completamente absurdo", tuitou Taylor Leese, diretor de uma equipe de engenharia, no domingo, pouco depois de ter sido expulso da companhia.

Problemas financeiros

Musk, o homem mais rico do mundo, disse que pagou demais pelo Twitter e quer ganhar dinheiro para a empresa, e rápido.

Na terça-feira, anunciou que planeja lançar uma assinatura de 8 dólares por mês para os usuários que desejem certificar a autenticidade de sua conta e ser menos expostos à publicidade.

Segundo relatos da imprensa, Musk queria cobrar 20 dólares por mês, mas a ideia foi fortemente criticada por usuários, como o romancista de best-sellers Stephen King, que tuitou, com palavrões, que deveria ser pago para estar na rede social do pássaro azul.

Em um tuíte, Musk respondeu: "Temos que pagar as contas de alguma forma! O Twitter não pode depender inteiramente dos anunciantes. Que tal 8 dólares?".

Musk disse que quer aumentar a receita do Twitter de 5 bilhões de dólares em 2021 para mais de 26 bilhões de dólares em 2028.

Grandes empresas, como General Motors e Volkswagen, suspenderam sua publicidade no Twitter após a aquisição.

Grupos de direitos civis mostraram preocupação de que Musk abra a rede social para desinformação não verificada e discurso de ódio e restabeleça contas bloqueadas, inclusive a do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que foi expulso logo após seus apoiadores invadirem o Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Mas o magnata anunciou que formará um comitê para avaliar o futuro político da rede social em relação a postar e restabelecer contas bloqueadas.

Os anúncios são a principal fonte de renda do Twitter, e Musk tentou acalmar os ânimos, ao garantir que a plataforma não se tornaria "um inferno para todos".

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