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Entenda por que Comissão de Direitos Humanos da Câmara se tornou centro das atenções no Congresso

Criado em 1995, órgão é permanente e acolhe cerca de 320 denúncias todo ano

Brasil|Do R7

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Eleição de Feliciano foi "estopim" para crise na Comissão de Direitos Humanos
Eleição de Feliciano foi "estopim" para crise na Comissão de Direitos Humanos

Desconhecida pela grande parte do público até o início de março, antes da eleição do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência, a CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados está no centro das atenções do noticiário nacional — e deve permanecer assim por muito tempo.

Criada em 1995 ainda no processo de redemocratização do País, a comissão é um órgão permanente da Câmara e tem o objetivo de receber, avaliar e investigar denúncias de violações de direitos humanos, além de discutir e votar propostas relativas a sua área, entre outras competências.


Por ano, são cerca de 320 denúncias protocoladas junto à comissão. Em sua grande maioria, são violações aos direitos dos presos e detenções arbitrárias. Em seguida, vêm os casos de violência policial e violência no campo, e violações de direitos de outros grupos, como indígenas, migrantes, homossexuais e afrodescendentes.

Um dos trabalhos mais marcantes da comissão ocorreu em 2009, quando os deputados concluíram um relatório sobre a situação carcerária no Espírito Santo. Esse documento mostrou para todo o Brasil as condições dos presos naquele Estado e ainda propôs medidas para melhorar essas condições.


Domínio do PT e confusão na comissão

A Comissão de Direitos Humanos esteve sob as rédeas do PT nos últimos 16 anos e, em 2013, o partido abriu mão do órgão para "agradar" o PSC, um dos partidos da base aliada — prática comum no governo federal.


Após a nomeação controversa de Feliciano para o cargo, deputados do próprio PT demonstraram insatisfação com a escolha. O presidente da comissão também deu munição aos seus críticos, ao mandar prender um manifestante que o teria chamado de racista durante uma sessão.

Até o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), demonstrou irritação com a permanência de Feliciano na comissão ao dizer que sua situação era "insustentável". A partir de então, Alves vem articulando junto ao PSC a substituição de Feliciano à frente da comissão.


A polêmica em torno de Feliciano se deu após antigas declarações do deputado virem à tona. Nelas, ele demonstrava tom racista e preconceituoso, incompatível com o cargo que assumiu. Em 2011, pelo Twitter, Feliciano ligou a homoafetividade ao "ódio, ao crime e à rejeição".

Entre o final de março e o início de abril, diversos partidos e políticos — descontentes com a insistência de Feliciano em permanecer no comando da comissão — entraram com representação na Câmara por quebra de decoro por parte do parlamentar. Até o momento, a mesa diretora não analisou os pedidos. 

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