Aceleramos: Audi A3 sedan com motor 1.4 turbo abre a porta do luxo e pode incomodar Civic e Corolla
A partir de R$ 94.800, sedã alemão passa a ameaçar modelos médios de marcas mais populares
Carros|Diogo de Oliveira, do R7

Na história dos Mundiais de futebol, a Alemanha geralmente não é tida como favorita. No entanto, já levou três taças do mundo com seu jogo técnico e consistente. A Audi parece estar se inspirando no time de seu país para tentar reassumir a ponta do mercado de luxo. Após passar alguns anos em reestruturação, a marca das argolas voltou a atacar com força o segmento de compactos e anunciou o A3 sedan a partir de R$ 94.800.
Por este valor, o modelo é o sedã de luxo mais acessível do Brasil. E não estamos falando de um carro modesto. O A3 sedan chega equipado com recursos modernos que certamente irão seduzir compradores fiéis de modelos de marcas mais populares, como o líder Honda Civic e o arquirrival (e vice-líder em 2014), Toyota Corolla. Estes podem sofrer perdas com o sedã compacto da Audi.
Uma simples análise de preços e conteúdos mostra que a briga entre esses modelos promete esquentar nos próximos meses. Um Toyota Corolla Altis 2.0 16V flex (153 cv), versão topo de linha, custa hoje R$ 92.900. Perto de ser remodelado, o Honda Civic tem preço sugerido de R$ 83.990 na configuração mais cara EXR 2.0 16V flex (150 cv). Por R$ 94.800, o A3 sedan usa o motor 1.4 TFSI (turbo) a gasolina com 122 cv de potência.
Nos três casos, os câmbios são automáticos. O Audi, porém, é mais moderno: tem dupla embreagem e sete marchas, enquanto o Corolla usa caixa tipo CVT (continuamente variável) com simulação de sete marchas e o Civic, uma convencional de cinco velocidades. O modelo alemão também leva vantagem no torque. São 20,4 kgfm despejados dos 1.400 e 4.000 rpm, contra 20,3 kgfm do Corolla 2.0, e 19,5 kgfm do Civic — ambos a 4.800 giros.
4º) Audi A3 sedã — 4.876 unidades
4º) Audi A3 sedã — 4.876 unidades
Eficiência mecânica
No confronto de números, o A3 sedan perde em potência, mas o seu conjunto mecânico é, de longe, o mais sofisticado. O motor 1.4 TFSI combina sistema de injeção direta de gasolina, comando variável de válvulas e turbocompressor, tecnologias que o tornam tão poderoso quanto os 2.0 japoneses, e mais econômico. Em nosso primeiro contato na estrada com o sedã, a média foi de 14,5 km/l mesmo diante de muita aceleração.
Ao mesmo tempo, este 1.4 turbo mantém viva no A3 sedan a tradição da Audi, com zero a 100 km/h em 9,4 segundos — todos os modelos da marca atingem os 100 km/h em menos de 10 segundos. O consumo de carro popular é amparado pelo sistema start/stop, que desliga o motor em paradas curtas, como semáforos e trânsito. E o câmbio de dupla embreagem tem programas que fazem o motor trabalhar em regime baixíssimo de giros.
Modo "camaleão"
No hall das tecnologias, o A3 sedan também é um dos modelos mais avançados da categoria no quesito plataforma. Seu chassi é feito sobre a estrutura modular MQB — a mesma que deu origem ao novo Golf e que servirá a dezenas de carros do grupo Volkswagen nos próximos anos. Esta combina aços e ligas metálicas de altíssima resistência, que deixam a carroceria leve e firme, além de extremamente segura em colisões (cinco estrelas no EuroNCAP).
Ao volante, impressiona a precisão com que o sedã executa os movimentos, de forma segura, limpa e equilibrada, transmitindo segurança e controle mesmo em alta velocidade. A grande surpresa é o modo "camaleão": o sedã possui dez programas de condução que ajustam as respostas ao acelerador e câmbio de acordo com o estilo do condutor. Este faz com que as respostas sejam sempre suficientes e até animadas, mesmo sem tanta agressividade.
Traduzindo: se o motorista "abusar" do acelerador, o sistema entenderá que ele busca esportividade e atrasará as trocas de marcha, para que o motor vá até o corte de giros e entregue sua potência máxima; ao mesmo tempo, o sistema privilegia o conforto e o consumo se perceber que o carro trafega em velocidade de cruzeiro, realizando as trocas de marcha a 1.500 rpm e fazendo o motor girar quase todo tempo abaixo das 2.000 rotações.
Mas mesmo com tantas tecnologias, é normal duvidar do 1.4 turbo. Seus 122 cv parecem modestos para um sedã de 1.215 kg. No novo Golf, este mesmo 1.4 (com componentes e ajustes da VW) rende 140 cv. O A3 sedan, contudo, usa o motor 1.8 TFSI (180 cv e 25,5 kgfm) na versão top, enquanto o Golf GTI traz um 2.0 turbo de 220 cv. Quer dizer, é tudo questão de estratégia. Quem quer desempenho, tem o 1.8, e quem quer racionalidade, o 1.4.
Grife é o trunfo
Quando observado nos detalhes, o A3 sedan é claramente sofisticado. Mesmo a lista de equipamentos traz itens importantes, como sete airbags e controles eletrônicos de estabilidade e de tração. Mas seu grande trunfo no mercado brasileiro será a grife. Mais que equipamentos, economia ou esportividade, o sedã alemão entregará status superior ao de modelos como Civic e Corolla. Daí a estratégia da Audi ser agressiva. Deve causar impacto.
Entre janeiro e março, a montadora emplacou 770 unidades do A3 sedan, que na época era vendido apenas com motor 1.8 TFSI, a um preço inicial de R$ 118.200. Ou seja, com as versões 1.4 turbo, a Audi espera vendas bem maiores do modelo, que tem tudo para ser seu campeão de vendas no Brasil a partir de 2015, quando passará a ser montado na mesma linha do novo Volkswagen Golf, em São José dos Pinhais, no Paraná.

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