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Medidas do BC do Brasil fortalecem moedas emergentes

A partir desta sexta-feira, o Banco Central fará leilões diários para conter a alta do dólar

Economia|Do R7

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As medidas anunciadas pelo BC (Banco Central) do Brasil na quinta-feira (22), para apoiar o real estão oferecendo apoio a uma variedade de outras moedas de países emergentes na manhã desta sexta-feira (23), no fim de uma semana turbulenta de perdas desencadeadas pela perspectiva de mais aperto da política monetária dos Estados Unidos.

O movimento de alta das moedas de países emergentes ocorreu antes de uma entrevista do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, à CNBC. Ele afirmou que, diante dos dados atuais, estaria confortável com um movimento de redução dos estímulos do Fed em setembro.

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O BC disse ontem que, a partir desta sexta-feira, ofertará leilões diários no valor total de aproximadamente US$ 100 bilhões. Até agora, o BC já ofertou US$ 45 bilhões, o que leva a um saldo próximo de US$ 55 bilhões até o final do ano. As ofertas serão de leilões de swap cambial e de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).

As notícias ajudaram a tirar o real do menor nível ante o dólar em quatro anos, de R$ 2,454. Os analistas disseram que o movimento do Brasil estava também ajudando as moedas de mercados emergentes, como a lira da Turquia, a ganharem força.

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"A intervenção no Brasil foi um sinal positivo para todos os mercados emergentes. Ela sinalizou aos investidores que os bancos centrais estão lá reagindo mais e estão mais agressivos. Eles estão prontos para acelerar a intervenção deles para estabilizar os mercados", afirmou o estrategista de mercados emergentes do Citigroup Luis Costa.

O analista do Barclays Sebastian Brown afirmou que a intervenção poderá sinalizar que "a tolerância para taxas de câmbio fracas nos mercados emergentes está perto de acabar, fornecendo mais evidência das crescentes pressões inflacionárias".

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Países com déficits significativos em conta corrente pagaram até agora um preço elevado, refletindo as preocupações dos investidores de que enfrentarão dificuldades para obter o dinheiro que precisam quando o Fed iniciar a retirada do programa de estímulo de US$ 85 bilhões em setembro.

Os países na linha de fogo e que estavam sob pressão significativa no início desta semana eram Indonésia, Turquia e Índia. Desde o fim de maio, as rupias da Indonésia e da Índia recuaram 15% ante o dólar. A lira atingiu níveis recorde de baixo. Mas, depois de registraram quedas fortes nesta semana, as moedas se recuperaram na sexta-feira.

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Também está colaborando para a melhora das moedas nos mercados emergentes o anúncio por autoridades da Indonésia de um pacote de medidas para estabilizar a rupia e reduzir o déficit em conta corrente, que incluirá a introdução de um imposto de importação mais alto sobre produtos de luxo e a redução de uma cota de exportações minerais.

Por volta das 9h10 (pelo horário de Brasília), o dólar opera estável em relação à lira da Turquia, cotado em 1,9927 lira. Ante à rupia da Indonésia, o dólar subia 0,32%, para 10.835,00. A moeda americana recuava 0,59%, para 6403 rupias indianas. Na Turquia, banco central lançou um leilão de US$ 350 milhões pelo segundo dia consecutivo.

A ação do Brasil ressoará no banco central da Turquia, disse o analista do Standard Bank Tim Ash, em Londres. Mas, como muitos outros observadores, ele afirmou que o efeito pode ser fugaz. "O programa de intervenção deve oferecer um pouco de alívio a curto prazo, mas eu não tenho certeza se ele realmente vai evitar a necessidade da Turquia de aumentar mais substancialmente as taxas de política monetária. Isso poderá, porém, dar a eles um pouco mais de tempo", acrescentou.

Alguns investidores e analistas alertaram que os esforços para dar apoio às moedas não deverão acabar com a dor. "As medidas forneceram algum alívio, mas o processo de ajuste, que começou no fim de maio (quando o Fed falou pela primeira vez sobre a mudanças da política monetária), não acabou ainda. O dólar continuará firme. Os yields dos Treasuries não estão em um nível de equilíbrio e nós esperamos mais enfraquecimento no mercado emergente", afirmou o gestor de carteiras da Schroders Clive Dennis.

Costa, do Citigroup, afirmou que as novas medidas no Brasil e na Indonésia e os esforços persistentes da Turquia para aliviar a pressão na lira chegaram um pouco tarde. "O mercado já se deteriorou significantemente desde maio. Eles serão suficientes? Ainda não. Os bancos centrais estão sob pressão significativa para estimular o crescimento nas suas economias", acrescentou Costa.

Às 9h18 (horário de Brasília), o euro era negociado em US$ 1,3358, de US$ 1,3357 ontem. O dólar estava em 99,04 ienes, de 98,72 ienes ontem. O euro era negociado em 132,30 ienes, de 131,85 ienes ontem. A libra estava em US$ 1,5551, de US$ 1,5586 ontem. Fonte: Dow Jones Newswires.

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