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O que acontece se a Oi falir? Veja o passo a passo do processo de recuperação judicial

Empresa de telecomunicações entrou com pedido para quitar R$ 65,4 bilhões em dívidas

Economia|Dinalva Fernandes, do R7

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Clientes não devem notar mudanças no atendimento da empresa
Clientes não devem notar mudanças no atendimento da empresa

A Oi entrou com pedido de recuperação judicial de R$ 65,4 bilhões na segunda-feira (20), pela 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Caso o procedimento seja aceito pela Justiça, a empresa terá até 180 dias para quitar suas dívidas. Enquanto isso, o atendimento aos clientes não deve ser interrompido. Mas, o que acontecerá se a Oi falir?

Para responder a essa pergunta, o R7 entrevistou especialistas para explicar passo a passo o processo de recuperação judicial.

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Sancionada em 9 de fevereiro de 2005, a Lei 11.101 regulamenta a recuperação judicial, extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade. Segundo a advogada especializada em direito empresarial, Yemanja Pohl Saccomandi, a recuperação judicial é um processo que pode anteceder a falência de uma empresa.

Desde 2011, cerca de 200 empresas entraram com o pedido na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e Conflitos relacionados à Arbitragem de São Paulo, por exemplo, informou o Daniel Carnio Costa. Aproximadamente 40% conseguiram se recuperar.

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— Nesta comarca, o índice de sucesso é bem maior do que a média nacional. Das empresas que têm o requerimento processado, ou seja, que eu acreditava que tinham chances de se recuperar, o percentual de sucesso sobe para 70%.

De acordo com Costa, qualquer empresa de qualquer tamanho pode entrar com o processo, já que não existe nenhum pré-requisito, como número de funcionários, por exemplo. Porém, os casos mais complexos costumam ser de empresas grandes.

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— A recuperação se aplica a uma empresa que está em crise, mas é considerada viável. Caso a empresa não tem chance de recuperação, já é decretada falência.

Atendimento

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Os clientes podem ser credores, quando compram ações da empresa na bolsa de valores, ou não. Como credores, eles recebem parte do patrimônio da Oi, por exemplo. De acordo com o juiz Costa, se for somente consumidor, o atendimento é encerrado e pode migrar para outra empresa.

— No entanto, isso depende do relacionamento com as concorrentes. As outras empresas não são obrigadas a aceitar clientes com os mesmos planos da outra. Por isso, os clientes correm o risco de ficar a ver navios.

A Fundação Procon-SP esclarece que o serviço à população não pode ser prejudicado e orienta o consumidor, caso observe falhas ou problemas por parte da operadora, a registrar reclamações e denúncias junto ao órgão de defesa do consumidor de sua cidade e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Em nota, a fundação informou que “a empresa deve manter o fornecimento do serviço e o atendimento ao consumidor, principalmente no que se refere a cancelamento e portabilidade”. O Procon ainda informou que aguardará a decisão judicial.

Também em nota, a Anatel divulgou que irá “suspender cautelarmente qualquer alienação ou oneração de bens móveis e imóveis integrantes de patrimônio das concessionárias, bem como de suas controladoras, controladas e coligadas, sem aprovação prévia pela agência; e adota ações específicas de fiscalização que assegurem a manutenção das condições operacionais das empresas e a proteção dos usuários”.

A Anatel ainda ressaltou que, “no seu papel de órgão regulador e de fiscalização, precisa atuar de forma incisiva nesse processo, avaliando previamente ofertas de novos serviços e planos, bem como todas as condições de prestação de serviço, pois caso aprovado o processo de recuperação, a empresa poderá voltar a operar regularmente”.

Entenda como funciona a recuperação judicial:

1) Pedido

A empresa que enfrenta uma crise superável pode requerer a recuperação judicial. Esse processo se destina a criar um ambiente adequado para o devedor e o credor, com um plano de recuperação, informou o juiz Costa. Mas o juiz precisa aceitar o pedido. Se for recusado, já se declara a falência da empresa. Normalmente a decisão sai em alguns dias.

2) Plano de recuperação

Após o requerimento do pedido, a empresa tem 180 dias para se recuperar. Os primeiros 60 dias é o período que ela tem para apresentar um plano de recuperação, mostrando passo a passo como quitará as dívidas. A partir do deferimento (aceitação do juiz), a empresa fica “blindada” contra os credores.

Também é feita uma assembleia com os credores para votação do plano apresentado, verificando todas as cláusulas. Quem faz a fiscalização é o administrador judicial nomeado pelo juiz. Se o plano for rejeitado, a empresa quebra. Existe ainda a possibilidade de criar comitê de credores. A lei não prevê isso, mas os credores podem suspender a assembleia dando oportunidade para a empresa modificar o plano para que seja votado novamente. Geralmente, os credores não querem que a empresa decrete falência porque eles querem receber logo, explica Costa.

3) Processo de recuperação

Após a aprovação do plano, a empresa inicia o processo de recuperação judicial, cumprindo as cláusulas do plano durante o restante dos 180 dias.

4) Após o processo

O juiz informou que, terminado o prazo, a empresa ainda fica sob fiscalização judicial por dois anos para saber se a mesma cumpre com as obrigações que assumiu. Por exemplo, se a empresa prometeu pagar determinado credor em 50 parcelas mensais, o juiz vai fiscalizar o pagamento até terminar o período para a empresa poder andar com as próprias pernas. Se a empresa descumprir alguma das obrigações, a lei diz que deve ocorrer a quebra.

5) E se a empresa falir?

O juiz Costa explica que depende de cada caso. Em regra, todo o patrimônio da empresa é vendido e o valor arrecadado é destinado para pagamento dos credores, de acordo com a ordem de prioridade legal, como as questões trabalhistas. Os funcionários com direito à indenização devem receber até 150 salários mínimos cada. Se o valor for maior, ele recebe apenas esta quantia e volta para a fila dos credores. Depois, paga-se outra categoria, como fisco etc.

6) Quanto tempo pode levar até falência?

A falência pode ser decretada em qualquer parte do processo de recuperação, caso as normas sejam descumpridas, por exemplo.

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