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Jeitinho brasileiro não ajuda alunos a resolverem problemas em grupo na escola

Estudantes bons em matemática se saem melhor em testes sobre questões do cotidiano

Mariana Queen Nwabasili, do R7

Uma segunda etapa da pesquisa será feita com os estudantes de escolas publicas e particulares
Uma segunda etapa da pesquisa será feita com os estudantes de escolas publicas e particulares AP

O tão famoso “jeitinho” brasileiro para lidar com problemas do cotidiano faz falta aos estudantes no momento em que eles são avaliados nos exames e vestibulares, segundo dados de um estudo recente realizado pela Mind  Group, empresa especializada no desenvolvimento de sistemas de aprendizagem. 

Bloqueio cultural atrapalha desempenho dos brasileiros em matemática

Apesar de serem extrovertidos, uma parte considerável de jovens brasileiros declarou ter um grau de ansiedade grande. E, por isso, a análise determinou que eles tendem a ter notas piores em matemática e nos testes que medem a capacidade de resolução de problemas em grupo.

Jussara Hofmann, consultora educacional, reforça que, por conta da ansiedade, crianças, jovens e adultos enfrentam dificuldades em atividades classificatórias e eliminatórias.

— Eles acabam tendo, bloqueios de memória e sensação de pânico durante o teste. Esse temor é decorrente, não da prova em si, mas do que ela representa.

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Confiança e nervosismo

O estudo da Mind Group, realizado no início deste ano com 2.224 estudantes do 5ª ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, comparou o desempenho nas provas objetivas com declarações sobre o nível de ansiedade dos alunos.

Coletando  e comparando dados de respostas dadas mediante orações que representavam alta ou baixa confiança, a pesquisa identificou que aqueles que concordaram com a fase “O mais gratificante para mim é entender o conteúdo da melhor maneira possível”, foram classificados como "menos ansiosos", e obtiveram uma média  6,5 pontos acima (38,6 pontos numa escala de 0 a 100) da nota  geral no teste de matemática.

Os estudantes que optaram pela afirmação “Eu fico tão nervoso nas provas que não consigo lembrar de coisas que eu já sabia”, entraram na lista dos "muito ansiosos" e, além de terem desempenho inferior em matemática, também alcançaram um ponto a menos (5,6 numa escala de 0 a 15) na média da avaliação sobre resolução colaborativa de problemas. 

Avaliação dos dados

Para Tadeu da Ponte, um dos coordenadores e autores do estudo da Mind Group, os dados devem ser interpretados com atenção.  

— Posso entender que a ansiedade afeta a resolução colaborativa de problemas, mas também posso entender que a resolução colaborativa de problemas pode afetar a ansiedade com relação às avaliações.

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O especialista destaca, ainda, que as escolas devem lembrar que o comportamento sociável não determina os níveis de ansiedade do estudante.  

— Uma pessoa pode ser muito sociável, mas ter dificuldades para trabalhar em grupo e resolver um problema.

Ele indica que os professores e gestores promovam tarefas em equipe nas aulas e insiram nos programas curriculares atividades que envolvam os alunos de maneira coletiva. 

— É aquela história de que duas cabeças pensam melhor do que uma. Ao trabalhar com outra pessoa, o aluno pode desenvolver mecanismos que o ajudam quando estiver estudando sozinho. 

Veja outros dados do estudo destacados no infográfico da Mind Group — Comunidade Internacional de Cooperação na Educação.

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