Para Dilma, reportagem da revista é “criminosa” e “ato de terrorismo eleitoral”

Edição da Veja traz suposto depoimento que ligaria Dilma e Lula à corrupção na Petrobras

Do R7

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, afirmou nesta sexta-feira (24) que as novas denúncias de corrupção na Petrobras, divulgadas pela revista Veja, são “criminosas” e correspondem a um “ato de terrorismo eleitoral”. Para a presidente, que prometeu levar o caso à Justiça, a publicação não tem provas das acusações e "excedeu todos os limites da decência".

De acordo com a reportagem de Veja — que antecipou sua circulação de sábado para sexta-feira (24), a dois dias do segundo turno —, o doleiro Alberto Youssef teria afirmado, em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público em Curitiba, que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam total conhecimento do esquema de corrupção na estatal.

A campanha petista usou quase todo o horário eleitoral de hoje na TV para questionar a reportagem e a revista. Mostrando capas antigas da revista contra o PT, um locutor diz que, na eleição de 1998, a publicação "usou o MST como pretexto para aterrorizar os eleitores. A mesma tática do medo também foi usada na eleição de 2002. Denúncias que nunca foram comprovadas também sempre fizeram parte do cardápio de Veja. Assim como os ataques gratuitos e preconceituosos contra o PT e o governo. A tática do medo voltou com força total na campanha de 2006. Em 2010, ano de eleição de Dilma, o velho truque de amedrontar os eleitores foi repetido várias e várias vezes. [...] E assim [a revista] escreve uma das mais tristes e lamentáveis histórias do jornalismo brasileiro”. 

Já Dilma destaca, mais de uma vez, que a revista não tem provas das informações e que, assim como em outras eleições, tenta utilizar reportagens contra o partido para “confundir o eleitor”.

— Não posso me calar frente a esse ato de terrorismo eleitoral articulado pela revista veja e seus parceiros ocultos. Uma atitude que envergonha a imprensa e agride a nossa tradição democrática. Sem apresentar nenhuma prova concreta e, mais uma vez, baseando-se em supostas declarações de pessoas do submundo do crime, a revista tenta envolver diretamente a mim e ao presidente Lula nos episódios da Petrobras, que estão sob investigação.

Para a presidente, "hoje a revista excedeu todos os limites da decência e da falta de ética".

— A revista comete esta barbaridade, esta infâmia, contra mim e Lula, sem apresentar a mínima prova. Isso é um absurdo. Isso é um crime.

Segundo Dilma, "é mais do que clara a intenção malévola da Veja de interferir de forma desonesta e desleal no resultado das eleições".

— Como das outras vezes e em outras eleições, Veja irá fracassar em seu intento criminoso. A univa diferença é que dessa vez ela não ficará impune. A Justiça livre desse país seguramente vai condená-la por este crime.

As novas denúncias

A edição da revista Veja que entrou em circulação nesta sexta traz um novo depoimento do doleiro Alberto Youssef, que, desde o fim de setembro, presta depoimentos à PF e ao Ministério Público após firmar acordo de delação premiada.

Apontado pela PF como chefe de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ilegalmente R$ 10 bilhões, Youssef teria dito em depoimento que a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam total conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras

“Como faz desde o dia 29 de setembro, [Youssef] sentou-se ao lado de seu advogado, pôs os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se colocou à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais”, descreve a revista na reportagem. Ao ser questionado sobre o envolvimento do governo federal no esquema de corrupção, o doleiro teria dito:

— O Planalto sabia de tudo!

“Mas quem no Planalto?”, teria sido questionado.

— Lula e Dilma.

O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse em entrevista ao jornal O Globo que o doleiro prestou depoimento à Polícia Federal de Curitiba na última terça-feira, mas disse não ter conhecimento da informação citada pela revista.

— Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso [que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção]. Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso.

Basto afirma ainda que Youssef prestou muitos depoimentos no mesmo dia e que o doleiro estava acompanhado de advogados de sua equipe.

— Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação.

Em depoimento prestado no começo do mês, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, teria acusado o PP, o PMDB e o PT de envolvimento no recebimento de propinas de empreiteiras. Costa também teria citado o envolvimento do ex-presidente do PSDB no esquema, Sérgio Guerra, que teria recebido propina para "travar" uma CPI da Petrobras no Congresso. A denúncia foi reforçada pelo laranja de Alberto Yousseff, Leonardo Meirelles, que prestou depoimento na última semana. 

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