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Caetano posa para foto de black bloc e critica projeto de lei que veta máscaras em protestos

Grupo de intelectuais pediu a Beltrame investigação de episódios de violência em manifestações

Rio de Janeiro|Do R7

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Foto de Caetano Veloso foi publicada nas redes sociais pelo coletivo Mídia Ninja
Foto de Caetano Veloso foi publicada nas redes sociais pelo coletivo Mídia Ninja

O cantor e compositor Caetano Veloso posou para foto com o rosto coberto em referência a manifestantes do grupo Black Bloc que atua em protestos no Rio de Janeiro e em outras capitais brasileiras. Ele criticou projeto de lei, a ser votado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que proíbe o uso de máscaras em protestos de rua.

Caetano se reuniu na quinta (5) com integrantes do coletivo Mídia Ninja, que transmitem ao vivo os protestos na internet. A foto foi divulgada no Facebook pelo Mídia Ninja acompanhada da frase: "CAETANO BLACK BLOC - 'É uma violência simbólica proibir o uso de máscaras. Dia 7 de setembro todos deveriam ir às ruas mascarados!'". Em vídeo do Mídia Ninja, o compositor reforça:


— Eu sou apenas um velho baiano, mas moro no Rio há muitos anos e acho que uma cidade como o Rio de Janeiro receber a proibição do uso de máscaras é uma violência simbólica (...) Então, eu penso o seguinte: 'No dia 7 de setembro poderíamos todos sair mascarados. Essa é uma resposta à violência sem precisar de violência. Pode ser muito bonito.

Na quinta, Caetano e um grupo de artistas e intelectuais também se reuniu com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Eles entregaram a Beltrame uma carta na qual pedem a investigação dos episódios de violência em manifestações no Rio de Janeiro. A reunião ocorreu a portas fechadas.


O movimento foi criado pelo músico Sidney Waismann e conta com os sociólogos Michel Misse, Alba Zaluar e Olga Bronstein e as antropólogas Jaqueline Muniz e Yvonne Maggie, entre outros. A intenção do grupo é que as saídas para os protestos que têm tomado as ruas do Rio sejam sempre pacíficas. As cobranças não se estendem apenas aos PMs. O grupo quer também que manifestantes mais exaltados evitem o confronto.

Nesta semana, a Polícia Civil fez operação em que prendeu integrantes dos black blocs. A reportagem do R7 entrevistou o grupo que disse não ser "só vândalo".


O posicionamento de Caetano acontece em semana em que a Justiça do Rio autorizou a CEIV (Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismos em Manifestações Públicas) a identificar criminalmente manifestantes mascarados na delegacia. Policiais terão direito a pedir que os rostos sejam descobertos para comparar com os documentos. Eles também poderão encaminhar os manifestantes a delegacias para fazer identificação por impressões digitais e por imagem, para que o material seja usado nas investigações realizadas pela comissão.

A decisão judicial já está em vigor. De acordo com o promotor Décio Alonso, o objetivo da medida é identificar pessoas que já participaram de atos de vandalismo durantes os protestos no Rio.


Também nesta semana votação de projeto de lei que pretende proibir o uso de máscaras em manifestações no Estado foi adiada. Deputados apresentaram emendas a serem agregadas ao projeto na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). O projeto foi apresentado na Casa em regime de urgência, por Domingos Brazão e Paulo Melo — ambos do PMDB.

Apesar de a proposta ter a possibilidade de ser aprovada, black blocs do Rio dizem que a lei não vai intimidá-los.

— Mesmo se for aprovado, não vai dar certo, porque vamos continuar indo com máscara.

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