Médico desaparecido não carregava telefone ou documentos por medo de assalto, diz filha
Sumiço completou seis dias; oncologista é do ES e estava em SP para lançamento de livro
São Paulo|Do R7, com Hoje em Dia

O desaparecimento do oncologista Roberto Gomes, de 67 anos, completa seis dias nesta quinta-feira (4). Natural do Espírito Santo, ele estava em São Paulo para o lançamento de um livro. Desesperada, a família apela à imprensa e às redes sociais para tentar localizar o médico. A filha dele, Roberta Gomes, falou que o pai não tinha costume de carregar telefone ou documentos, o que pode dificultar as investigações.
— Ele tinha muito medo de assalto, de levarem os aparelhos, identidade, tudo.
Roberta contou ao Hoje em Dia desta manhã que o último contato da família com ele foi na quinta-feira (27) à noite. Emocionada, ela disse ainda que o pai sofre de labirintite e acredita que ele pode ter passado mal ao sair pelas ruas da capital paulista.
— Eu tenho certeza, foi isso. Ele ia almoçar antes de ir para o aeroporto e teve algum problema, seja de coração, seja alguma ausência súbita. [Ele] Pode estar vagando ali no entorno ou até longe, não sei se ele pegou um ônibus, não sei o que aconteceu.
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Segundo a filha do médico, ele nunca passou mal na rua ou teve problema de memória, mas, como a avó teve problema de coração, existe uma preocupação da família de que ele tenha apresentado problema semelhante.
— Pode ser que ele também tenha tido um mal súbito. Ele pode estar entubado, pode estar como indigente, abandonado em algum pronto-atendimento, UTI.
Roberta disse ainda que, desde segunda-feira (1º), o irmão e um amigo da família estão em São Paulo para ajudar nas buscas ao médico e a mulher chegou à capital paulista na quarta-feira (3). Relatos sobre uma pessoa com características parecidas às do médico trouxeram esperanças à família.
— Foi ontem [quarta-feira] e a gente estava muito emocionado porque tinha vários relatos de um atendimento próximo à [avenida] Paulista de uma pessoa com características parecidas com as do meu pai, inclusive reconheceram a foto, falaram: "É ele!" Então a gente estava com muita certeza, mas, no final, descobriu que não era.
Roberta pede que quem tenha qualquer pista informe aos órgãos competentes. Emocionada, ela conta sobre as esperanças da família.
— A gente tem certeza que ou ele está vagando ou está com algum problema de memória, alguma coisa.
O caso
O médico oncologista Roberto Gomes, de 67 anos, chegou a São Paulo na quinta-feira da semana passada (27) para o lançamento de um livro sobre prevenção ao câncer. As imagens do hotel mostraram quando ele acertou a conta e deixou as malas. O oncologista saiu apenas com uma sacola plástica.
A polícia já solicitou imagens de câmeras de segurança da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo. Elas podem ajudar a encontrar alguma pista sobre o que aconteceu com o médico nos momentos seguintes à saída del do hotel.
O CRM-ES (Conselho Regional de Medicina) criou uma página em uma rede social. O objetivo é que o médico possa ser reconhecido caso esteja em alguma unidade de saúde. Na central do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) em São Paulo, uma equipe rastreia informações sobre atendimentos feitos a partir do dia em que o médico desapareceu. Hugo Cibien, um amigo da família, acompanhou as buscas por prontos-socorros e hospitais, mas até agora não há nenhuma pista.
— A gente está olhando as pessoas que se encaixam na idade, na localização, na data de sexta-feira até hoje para ver se a gente consegue puxar alguma pista.













