Na Assembleia Legislativa, presidente de grifes alega desconhecer que fornecedor utilizava trabalho escravo
Esquema foi descoberto durante força-tarefa no fim de março deste ano
São Paulo|Do R7

Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ouviram, na tarde desta quarta-feira (17), as explicações do presidente GEP — dona das marcas Luigi Bertolli, Emme, Cori e representante da norte-americana Gap no Brasil — sobre as recentes denúncias de trabalho em regime escravo envolvendo uma confecção contratada da empresa. Aos parlamentares, Nelson Volpato afirmou desconhecer que o fornecedor usava trabalho escravo de costureiras bolivianas.
O fiscal do Ministério do Trabalho Ricardo Bignami falou sobre o trabalho de investigação da oficina clandestina, no bairro do Belenzinho, em que foram encontrados 28 bolivianos em regime de mão de obra escrava, no fim de março deste ano.
A GEP também teve de assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) em que se compromete a observar e fiscalizar a sua cadeia produtiva para que situações como essa não se repitam. O TAC firmado com o Ministério Público do Trabalho também prevê multas específicas, caso não cumpram o acordo.
Leia mais notícias de São Paulo
O caso
Os trabalhadores eram subcontratados de uma confecção coreana, cujos donos não foram identificados. Os coreanos, cuja empresa é legal, contratavam oficineiros bolivianos, que por sua vez, empregavam conterrâneos que trabalhavam e dormiam no local ganhando de R$ 0,80 a R$ 4,50 por peça produzida. O esquema foi descoberto em uma força-tarefa realizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) de SP, TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de SP, Receita Federal e pela Secretaria Estadual da Justiça e Defesa da Cidadania. As blitze ocorreram nos dias 20, 21 e 22 de março.
A empresa dona das grifes afirmou que não tinha conhecimento que suas roupas eram costuradas por bolivianos que viviam em situação análoga à escravidão e que vai processar a confecção coreana. A GEP fez um acordo trabalhista no valor de R$ 1,1 milhão. Parte do montante foi destinado ao pagamento de danos morais coletivos revertidos ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) do Ministério do Trabalho e a instituições que trabalham no combate ao trabalho escravo.
Outra parte foi revertida em indenização individual. Cada boliviano recebeu em média R$ 23 mil. Eles tiveram toda a documentação trabalhista legalizada e foram contratados pela GEP.













