São Paulo

23/5/2013 às 01h10 (Atualizado em 23/5/2013 às 16h51)

O sofrimento ainda é o mesmo, diz mãe de Mércia Nakashima três anos após o crime 

Janete Nakashima diz que não se conforma com morte da filha e critica sentença de Mizael 

Vanessa Beltrão, do R7

Mércia Nakashima desapareceu no dia 23 de maio de 2010 Arquivo Pessoal

Uma avó hoje dedicada aos netos e uma mãe com uma dor sem-fim. Passados três anos da morte da filha Mércia Nakashima, completados nesta quinta-feira (23), Janete Nakashima diz que a cada dia que se passa a saudade só aumenta.  

— Para mim não mudou em nada. O sofrimento é o mesmo.

Hoje, quem faz a alegria da residência dos Nakashima é uma das netas de Janete, uma menina de dois anos que fica sob os seus cuidados. Ao se despedir dela, a preocupação de quem já perdeu uma pessoa querida aparece e a avó conta que chega a repetir mais de uma vez “tchau, meu amor, vai com Deus”. 

— É o que está segurando a gente aqui. [...] É o que me ajuda, enquanto eu estou ocupada, as horas vão passando.

No dia 14 de março deste ano, a vida da família teve mais um capítulo. O policial militar reformado e ex-namorado de Mércia, Mizael Bispo,  foi condenado a 20 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de Mércia. Ele foi considerado culpado pelo crime de homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.   

O júri não foi última ocasião em que Janete teve que ficar frente a frente com o condenado pela morte de sua filha. Ela conta que, no início deste mês, quando esteve no Fórum de Guarulhos, terminou encontrando Mizael Bispo, que está preso no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Segundo Janete, o ex-policial reformado iria participar de uma outra audiência.  

— Chamei até a corregedoria porque achei uma injustiça. Eu me senti prisioneira, porque precisei sair do local para ele poder passar e parecia que ele conduzia os policiais e não que os policiais o conduziam. Com uma roupa de passeio, não parecia que era um prisioneiro.

A situação, segundo ela, foi tão revoltante que Janete teve que recorrer a remédios. A mãe de Mércia contou ainda que durante a passagem do condenado ainda pediram para que ela não falasse nada.

— Quem passou mal fui eu e achei aquilo muito revoltante. [...] Se para eles é normal isso, para mim não é.

‘Foi uma pena muito leve’

Janete também afirmou não se conformar com a sentença do policial militar reformado.

— Vinte anos para o Mizael. Foi ele quem matou, ele fez a barbaridade que foi. Achei que foi uma pena muito leve, o juiz foi muito bonzinho.

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“Trinta anos”

Agora a mãe vive uma nova expectativa por justiça. Isso porque no próximo dia 29 de julho, o vigia Evandro Bezerra da Silva será levado a julgamento no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.  Ele responde por participação no assassinato da advogada com duas qualificadoras: meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. 

— Eu não tenho dúvida, já que o Mizael foi condenado, o Evandro também será.

Para Janete, a condenação deveria ser de “trinta anos” para cada um deles.

O promotor de Justiça Rodrigo Merli já recorreu da sentença do ex-namorado de Mércia. O representante do Ministério Público solicitou que a pena total de Mizael chegue a 22 anos e também pediu a perda do cargo de “policial militar reformado”. Com isso, o acusado poderia perder a aposentadoria a que tem direito. Mesmo assim, não chega perto a sentença dos 30 anos desejada pela família da vítima.

— O que está me confortando um pouco é que, graças a Deus, não tem nada na vida da minha filha para manchar o nome dela. Ela sempre foi uma boa filha, uma boa irmã, uma boa profissional e a gente vai levar isso para o resto da vida.

Porém, a mãe ainda se perde em palavras e o que era otimismo em um momento, no outro segundo, vira lamento.

— É muito difícil, revoltante, podia está aqui do meu lado agora, seria tudo tão diferente. A minha vida mudou de uma tal forma, acabou, não tem mais alegria. Não dá para se conformar com uma coisa dessas. 

O caso

Mércia Nakshima desapareceu no dia 23 de junho de 2010. O corpo e o carro da advogada foram encontrados no dia 10 de junho do mesmo ano dentro de uma represa em Nazaré Paulista. O seu ex-namorado, Mizael Bispo, foi condenado pelo crime a 20 anos de prisão em março deste ano. Em julho, o vigia Evandro Bezerra será levado a julgamento. Ele é acusado de ter participado da morte da advogada. 

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