Polícia indicia apenas padrasto por morte de Joaquim
Mãe da criança não foi responsabilizada pelo crime; inquérito deve ser encerrado na sexta-feira
São Paulo|Do R7, com Rede Record

A Polícia Civil indiciou nesta quinta-feira (19) o técnico em informática Guilherme Longo, suspeito de matar o enteado de três anos. No entendimento do delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que conduziu as investigações, Longo deverá responder por homicídio doloso triplamente qualificado — meio cruel, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Joaquim Ponte Marques foi encontrado morto no dia 10 de novembro, no rio Pardo, em Barretos, no interior de São Paulo. Ele havia desaparecido cinco dias antes, em Ribeirão Preto, cidade vizinha.
A mãe da criança, a psicóloga Natália Mingoni Ponte, que também chegou a ser presa, a princípio não foi responsabilizada pelo crime. Desde o início das investigações, o promotor Marcus Túlio Nicolino sustenta que, mesmo se fosse comprovada a não participação de Natália no desaparecimento do filho, ela poderia responder por omissão. O argumento do Ministério Público é de que a mulher declarou saber dos riscos aos quais Joaquim estava exposto por ficar na companhia do padrasto.
Inicialmente, Natália e Longo apresentaram a versão de que o garoto havia sumido de dentro de casa. Ela relatou na ocasião que colocou o filho para dormir e, quando acordou, ele havia desaparecido. O padrasto, que é dependente químico, informou que naquela madrugada saiu para comprar drogas.
No mesmo dia em que o corpo de Joaquim foi localizado, a Justiça decretou a prisão temporária do casal. Ambos foram submetidos a avaliações psicológicas. Longo foi levado para a Delegacia Seccional de Barretos. Já Natália, após passar um mês na Cadeia Feminina de Franca, foi liberada no último dia 11, graças a um habeas corpus. Pouco antes, a 2ª Vara do Júri e das Execuções Criminais de Ribeirão Preto havia decidido pela prorrogação da prisão temporária do casal por mais 30 dias.
Polícia analisa ligações feitas no dia em que Joaquim desapareceu
No último dia 22, o técnico em informática participou da reconstituição do crime e foi hostilizado pela população.
Uma das suspeitas iniciais da polícia era de que a vítima tivesse morrido em razão de uma overdose de insulina, possivelmente aplicada pelo padrasto — Joaquim fazia tratamento contra diabetes. Mas exames realizados em tecidos retirados do corpo do menino não detectaram a presença de uma dose excessiva do hormônio.
O inquérito, que tem 1.400 páginas distribuídas em seis volumes, ainda não foi concluído. A expectativa é de que os trabalhos sejam oficialmente finalizados nesta sexta-feira (20).














