São Paulo

14/6/2013 às 01h02 (Atualizado em 14/6/2013 às 11h23)

Quinto protesto contra aumento de passagens em SP está marcado para segunda-feira (17)

Confronto entre PMs e manifestantes terminou com 242 detidos na quinta-feira (13)

Do R7

Protestos são organizados pelo Movimento Passe Livre Daia Oliver/R7

O grupo MPL (Movimento Passe Livre) marcou outro protesto contra o aumento das tarifas de transporte coletivo em São Paulo. A nova manifestação está prevista para a próxima segunda-feira (17), no largo da Batata, em Pinheiros, a partir das 17h. Nesta quinta-feira (13), a manifestação acabou novamente em confronto entre os jovens e a Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral e balas de borracha.

Como nos outros atos, a organização está enviando convites para o "evento" pelo Facebook. O texto da página ressalta que a batalha da população paulistana contra o aumento das passagens está cada vez "maior e mais forte". "Mas a única resposta do governo é uma repressão policial mais truculenta e arbitrária a cada ato", continua o texto. "Eles querem nos calar, nos separar, nos enfraquecer. Mas nós não deixaremos! Ninguém vai nos deter em nosso direito de nos manifestar até a tarifa baixar!".

Detidos

A polícia deteve 242 pessoas durante o quarto dia de protesto contra o aumento das passagens do transporte público. Quatro pessoas ainda estão presas, sem direito a pagamento de fiança, por formação de quadrilha, incitação ao crime e dano qualificado ao patrimônio. Elas foram levadas à carceragem do 2º Distrito Policial (Bom Retiro) e estão à disposição da Justiça.

A manifestação desta quinta-feira (13) foi marcada por violência e repressão. A Polícia Militar e manifestantes entraram em confronto por volta das 19h na região da rua Maria Antônia. Policiais militares jogaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo nos manifestantes, que revidaram tacando objetos. Além disso, os jovens colocaram fogo em lixo e picharam e depredaram ônibus.

O major Lídio, da Polícia Militar, declarou que o descumprimento do acordo feito com o Movimento Passe Livre gerou o confronto.

— O movimento não cumpre palavra. Então, o que foi acertado é que eles viriam até a praça Roosevelt para fazer a manifestação aqui. Como eles não cumpriram o acordo, nós estamos recuando nossa linha [de bloqueio] para que depois a própria imprensa registre que eles não estão cumprindo o acordo.

A declaração do major ocorreu minutos antes de a polícia lançar bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar o grupo de manifestantes. De acordo com a polícia, foi combinado que o grupo iria apenas até a praça Roosevelt e não seguiria pela rua da Consolação em sentido à avenida Paulista. Segundo a PM, como os manifestantes tentaram seguir em frente e não houve novo acordo com o grupo, ocorreu o lançamento das bombas.

Movimento Passe Livre

Os quatro protestos que pararam São Paulo, nos últimos dias, são organizados pelo Movimento Passe Livre. O MPL tem como principal bandeira a mudança do sistema de transporte das cidades da iniciativa privada para um modelo público, "garantindo o acesso universal através do passe livre para todas as camadas da população". O movimento calcula que 37 milhões de brasileiros deixam de utilizar o transporte público por não poder arcar com o custo das passagens.

Na prática, o MPL quer que o transporte público seja gratuito. Portanto, a briga não é somente contra o aumento de R$ 0,20 na tarifa do transporte coletivo em São Paulo — de R$ 3,00 para R$ 3,20. Sua carta de princípios diz que “o MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população”.

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