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Após eleição, Câmara terá desafio de destravar pauta econômica

Reformas e outros projetos adormecidos em 2020, ano de maior atenção à pandemia, devem ser prioridade de novo presidente

Brasil|Márcio Pinho, do R7

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Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados José Cruz

O novo presidente da Câmara a ser eleito em fevereiro terá a missão de fazer andar a pauta de projetos que afetam diretamente a economia do país, após um ano em que as discussões ficaram concentradas na pandemia de covid-19, escanteando reformas e outros projetos. 

Com a piora acentuada de diversos indicadores econômicos em 2020, como o PIB (Produto Interno Bruto), que deve fechar o ano em -4,5%, e o aumento do desemprego para 14 milhões de brasileiros, a expectativa é que projetos que possam ajudar na retomada tenham prioridade. Parte das propostas do ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá ser votada, além de iniciativas dos deputados.

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Os dois parlamentares que aparecem entre os que anunciaram maior número de apoios até o momento tentam mostrar afinidade com a pauta econômica, mais um indicador de que o tema terá prioridade em 2021.

O candidato apoiado pela gestão Jair Bolsonaro é o deputado Arthur Lira (PP-AL), que conta com o apoio especialmente de partidos de direita e centro que formam a base do governo. Já Baleia Rossi (MDB-SP) é ligado a Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Casa, e tem o apoio de parte dos partidos de centro-direita e também da maioria das legendas de esquerda, incluindo o PT.

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Os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP)
Os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP)

Baleia representa a continuidade de agenda econômica defendida por Maia, que possui convergências com a de Guedes, como a defesa de reformas, como a da Previdência.

Se eleito, o deputado poderá priorizar a aprovação de uma das PECs (Proposta de Emenda à Constituição) em tramitação no Congresso. A PEC 45, de autoria de Rossi, substitui cinco tributos e já vem sendo discutida por uma Comissão Mista.

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O governo Bolsonaro também defendeu a reforma tributária como uma prioridade para 2020, mas acabou mandando ao Congresso apenas a primeira parte das mudanças, a unificação de Pis (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

Defesa das reformas

O deputado Arthur Lira, por sua vez, não é tido como um parlamentar fortemente ligado às pautas econômicas liberais em sua trajetória, mas vem se posicionando em defesa da aprovação de reformas. “Nossa candidatura tem compromisso com o Brasil, com as reformas para fazer a economia deslanchar”, escreveu nesta semana no Twitter.

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O líder do bloco parlamentar conhecido como “Centrão” também vem adotando posturas semelhantes à Baleia Rossi em defesa do “teto de gastos”, que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior.

Lira é visto como um aliado em potencial para o governo fazer andar a agenda econômica de Paulo Guedes. Ele é o candidato preferido do ministro.

Projetos do governo

Além da reforma tributária, o governo pretende aprovar a PEC Emergencial. A proposta prevê gatilhos para o corte de despesas públicas, mecanismo considerado importante pelo governo na atual crise econômica, e pode ainda criar o programa Renda Cidadã, que deverá substituir o Bolsa Família. A discussão deverá envolver também o debate sobre a prorrogação do auxílio emergencial, defendido por parte dos parlamentares.

O governo pretende ainda aprovar a proposta do Pacto Federativo – que poderá reorganizar o estado brasileiro, a autonomia do Banco Central e privatizações. O Executivo pretende se desfazer de, pelo menos, nove estatais em 2021. A venda de empresas deve contar com o apoio de Lira e de Rossi, apesar da posição contrária do PT ao tema.

Reforma administrativa e pauta de costumes

Outros temas, porém, podem ter decisões diferentes dependendo de quem comandar a Câmara. Um dos pontos de tensão pode ser a reforma administrativa, um dos projetos do governo. Ele busca modernizar o serviço público e atualizar as regra para novos servidores, com mudanças na contratação, salários, estabilidade, progressão e extinção de penduricalhos.

Rossi, em razão do apoio que recebe dos partidos de esquerda, tradicionais críticos de projetos que diminuem recursos para o funcionalismo, pode adotar posição mais refratária à iniciativa.

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A expectativa é que o mesmo aconteça em relação à “pauta de costumes” que o presidente Jair Bolsonaro gostaria de ver tramitando no Congresso.

Já em relação a Lira, a expectativa é que a reforma administrativa e eventuais projetos do governo sobre costumes possam ter maior fluidez.

Os presidentes da Câmara e do Senado são os responsáveis por pautar projetos, o que ajuda em parte a entender por que o cargo é tão ambicionado.

Senado

No Senado, o cenário aparece ainda menos definido do que na Câmara. Rodrigo Pacheco (DEM-MG) é o candidato do atual presidente, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Também podem concorrer Eduardo Braga (MDB-AM); Eduardo Gomes (MDB-TO) - atual líder do governo no Congresso; Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) - líder do governo no Senado; Simone Tebet (MDB-MS), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça); Major Olímpio (PSL-SP); Jorge Kajuru (Cidadania-GO); Álvaro Dias (Podemos-PR); Mara Gabrilli (PSDB-SP); Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Lasier Martins (Podemos-RS).

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