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Câmara diz comprar café 'superior' após problemas com o comum

Órgãos públicos determinam que café precisa ter selo de qualidade elevado. Nos mercados, produto tem preço 76% maior que os tradicionais.

Brasil|Márcio Pinho, do R7

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Câmara dos Deputados
Câmara dos Deputados Fábio Rodrigues Pozzebom/20.02.2013/ABr

A Câmara dos Deputados, um dos órgãos públicos que compram café com selo de qualidade “superior”, afirmou nesta segunda-feira (27) que o café de categoria tradicional já foi adquirido pela Casa, mas foi abandonado porque apresentou “diversos problemas de qualidade”. E que a opção por produto de categoria mais elevada, feita em 2015, não implicou aumento dos custos.

O R7 mostrou nesta segunda-feira (27) que diversos órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário determinam em licitações que o café a ser fornecido precisa ser da categoria “superior”, considerando uma classificação adotada por certificadoras para atestar a qualidade do produto.


Uma das principais entidades do setor, a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), informa em seu site que o café “superior” custa 76% mais nos supermercados do que as modalidades “tradicional” e “extraforte”, mais populares entre os consumidores. O dado é de 2018.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, uma análise realizada pela área técnica em 2015 demonstrou que “a compra do café de categoria superior mostrava vantagem de custo/benefício em relação ao produto anteriormente adquirido”.


A Câmara afirma que a adoção do café com selo de qualidade "superior" não custou mais aos cofres públicos. E cita como exemplo um contrato de 2014 para compra do café ‘tradicional’ por R$ 8,08 o quilo do café. O valor, corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), seria de R$ 10,50 o quilo, mais caro que os R$ 9,99 pagos atualmente pelo quilo da categoria superior.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), outro órgão que compra esse produto, afirma que o café “superior” é o padrão nos órgãos do Judiciário e na maioria dos órgãos públicos, “uma vez que algumas características como acidez, adstringência, corpo e amargor possuem boa aceitação pelos consumidores, reduzindo insatisfação e evitando que ocorram desperdícios”.


O STJ afirma não ver extravagância na compra do café superior, já que se trata de uma categoria intermediária - a classificação da Abic inclui ainda uma categoria chamada “gourmet” para os produtos mais nobres.

O Senado, outro órgão com contratos para aquisição de café de categoria “superior”, afirmou que o critério para aprovação na análise sensorial é a nota 6,0 em uma escala de 1 a 10, na escala da Abic. "Essa exigência configura a compra de um café de nível bom, segundo os critérios da ABIC, não configurando extravagância, mas tão somente a manutenção de um padrão desejável para o produto".


O Senado disse ainda ter obtivo valores competitivos na última licitação, pagando R$ 6,46 para cada pacote de 500g.

O Ministério da Saúde afirmou que a contratação e aquisição de produtos e serviços obedece a Lei de Licitações (N° 8.666/93), "sempre pautada nas melhores práticas incentivadas pelo Ministério da Economia e órgãos de controle externo, como o Tribunal de Contas da União (TCU)." Segundo o Ministério da Saúde, o produto escolhido por meio de pregão apresentava maior vantagem econômica.

Os gastos do poder público com alimentação chamaram a atenção nas últimas semanas em razão da licitação aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para comprar refeições que incluem lagostas e vinhos premiados.

Cafés

Os cafés mais nobres estão disponíveis apenas em parte dos supermercados, muitas vezes acompanhados de nomes como “premium” e “exportação”. Também entram nessa classificação produtos “descafeinados”.

São exemplos de marcas de café tradicional e extraforte: Caboclo, Seleto e Fort. Outras marcas bastante conhecidas também têm várias opções de café com as classificações "tradicional" e "extraforte" e uma ou outra variação na categoria superior. São os casos do Café do Ponto, Pilão, Melitta e 3 Corações.

A classificação adotada pela Abic respeita um índice chamado Qualidade Global (QG), que reflete a percepção de atributos como aroma, acidez e amargor. Cafés que recebem nota até 4,5 são classificados como não recomendáveis. Os que recebem nota superior recebem selos de certificação e as seguintes descrições da Abic:

- Entre 4,5 e 5,9 estão os tradicionais e extrafortes, “comparáveis aos vinhos de mesa, com preço acessível para o consumo diário”;

- De 6 a 7,2 estão os superiores, “comparáveis aos vinhos superiores, melhores que os tradicionais e/ou extrafortes e com valor agregado”;

- Entre 7,3 e 10 estão os “gourmet”, “café excelente, exclusivo e de alta qualidade, com sabor e aroma mais suaves por causa da seleção dos grãos e de torra controlada".

Leia mais: Justiça libera compra de refeições com lagosta e vinhos para STF

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