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Com demissões, doutoranda perde orientadora em reta final do curso

Estudantes se mobilizam contra mudanças em universidades particulares

Brasil|Giuliana Saringer, do R7

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Protesto de estudantes da Anhembi-Morumbi
Protesto de estudantes da Anhembi-Morumbi

A estudante de doutorado da Universidade Metodista Anelisa Maradei é uma das pessoas prejudicadas pelas demissões de professores em instituições particulares de ensino.

A orientadora de Anelisa foi desligada na reta final do projeto, que começou há quatro anos. Agora a doutoranda não sabe o que vai acontecer.


Anelisa passou 10 meses em Portugal com o objetivo de estudar a tese de doutorado. A estudante é bolsista pelo Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ou seja, recebe um valor mensal do programa do governo federal.

A tese precisa ser depositada até fevereiro de 2018 e, caso precise de prolongamento do prazo por causa da ausência da orientadora, terá que pagar mensalidade na universidade, já que o Capes não financiará o projeto por mais tempo do que o acordado.


— Chegamos ao final de quatro anos com um investimento que não é só pessoal meu, é do governo também.

Ao chegar no Brasil, na última terça-feira (19), a doutoranda já começou a lidar com os problemas causados pela demissão. Para ela, a finalização do doutorado tem sido “traumática”.


— É um momento de profunda tensão. É um projeto de vida um doutorado. Você se desliga das pessoas, dos amigos, para se dedicar aos estudos. Essa incerteza com a demora, ficar sabendo que seu orientador foi demitido por terceiros, pela imprensa, e não pela faculdade foi um erro gravíssimo.

Manifestação de alunos da Metodista contra demissões
Manifestação de alunos da Metodista contra demissões

Anelisa criticou a forma como a universidade está lidando com o tema. Ela conta que recebeu uma ligação da instituição na terça-feira (19) para marcar uma reunião presencial na quarta (20), sendo que a orientadora foi demitida no dia 7 de dezembro.


Agora, afirma que a maior batalha para ela e para os colegas é fazer com que os orientadores possam assinar o trabalho.

— Eles [universidade] querem que nós aceitemos um orientador que vai simplesmente colocar o nome no trabalho [sem ter participado]. Nossa grande luta e reinvindicação é para que a gente possa ter nossos orientadores assinando o trabalho, que é legitimo.

Mobilizações estudantis

Anelisa não é a única estudante da rede particular de ensino afetada pelas demissões. Estudantes de diversas instituições estão se mobilizando contra os cortes e mudanças educacionais dos cursos, como a redução da carga horária.

Na Metodista, por exemplo, os estudantes realizaram protestos com palavras de ordem como “Contra a precarização da Metodista, nenhum professor a menos”.

Na Universidade Anhembi Morumbi, alunos criaram o movimento “Resiste Anhembi”. Os universitários realizaram atos e assembleias para discutir o tema. A página no Facebook do grupo compartilhou um abaixo-assinado criado com o objetivo de mostrar a insatisfação com as mudanças.

A proposta é que os alunos de qualquer universidade da rede Laureate que estão descontentes assinem o documento online. A Anhembi e instituições como FMU e FIAM/FAAM fazem parte do grupo. 

Alunos manifestam descontentamento com mudanças
Alunos manifestam descontentamento com mudanças

Segundo o abaixo-assinado, as mudanças educacionais propostas pelo grupo são: corte de professores com anos de mercado e experiência para contratação de novatos sem os mesmos conhecimentos para diminuir custos, diminuição da carga horária, corte de matérias, adição de aulas EAD [ensino a distância] nas universidades presenciais, fim das DP's de férias, aumento absurdo da mensalidade e dos custos para provas substitutivas que chegam a alcançar três dígitos e muito mais.

Apoio externo

O Sinpro-SP (Sindicato dos Professores de São Paulo) afirma que o apoio para os profissionais demitidos está sendo prestado por meio assembleias para tomada de decisões conjuntas, além fornecer auxílio aos docentes demitidos sobre negociações e medidas legais que podem ser tomadas daqui para frente.

Alunos que, assim como Anelisa, se sentem prejudicados pelas mudanças educacionais podem entrar em contato com o MEC (Ministério da Educação) para fazer uma denúncia por meio do telefone 0800616161, do Fale Conosco ou enviar um ofício endereçado à Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior).

Os alunos também podem fazer questionamentos aos órgãos de defesa do consumidor em caso de descumprimento do contrato firmado entre aluno e instituição.

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