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Após Metodista demitir 50 professores, alunos protestam

Justiça barra demissão em massa na Estácio de Sá em SC e PA

Educação|Do R7

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Alunos e professores protestaram contra demissões
Alunos e professores protestaram contra demissões

Ao menos 50 professores da Universidade Metodista de São Paulo foram demitidos após uma mudança na direção da instituição, segundo o Sinpro ABC (Sindicato dos Professores do ABC).

Parte dos docentes diz que as demissões são uma retaliação a uma ação judicial coletiva. Os professores haviam entrado com o processo porque, desde 2015, estariam recebendo salários atrasados e não têm o fundo de garantia depositado. A universidade não se manifestou.


"A situação começou como uma crise financeira, com o atraso de salários. Tentamos conversar, negociar, mas nada ia para frente. Depois da ação coletiva, os professores que sempre participaram das assembleias foram demitidos. Foi uma decisão política", alega Cristiane Gandolfi, diretora do sindicato e professora do curso de Pedagogia da Metodista.

Luís Roberto Alves, de 70 anos, era professor da pós-graduação em Administração até segunda-feira, quando foi demitido. Segundo ele, falhas no depósito do FGTS vêm ocorrendo desde 2014. "Foram alguns lançamentos em 2015, 2016, neste ano, mas com lacunas de até sete meses."


Ele conta que, desde segunda, os professores começaram a ser chamados em sequência para serem demitidos. Há 31 anos na instituição, Alves diz que seu curso estava ameaçado de ser extinto desde agosto e não foi aberto edital para novas turmas.

Futuro


Um professor que trabalhava na instituição havia 13 anos e pediu para não ser identificado diz ter participado das assembleias e entende sua demissão como uma retaliação à participação nas reuniões em que foi discutido o atraso salarial. "Me preocupa o futuro da Metodista. Foi onde me formei e iniciei minha carreira. Vou sempre carregar o nome dessa instituição. Por isso lutava pelos meus direitos e de meus colegas."

A maior parte das demissões ocorreu nos cursos da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades. Muitos atuavam em cursos de pós-graduação, o que preocupa estudantes e funcionários, que temem pela continuidade de pesquisas.


Alunos e ex-alunos usaram as redes sociais para lamentar as demissões e manifestar apoio aos professores. Eles fizeram um protesto em frente à instituição na noite desta quinta-feira, 14. O temor é em relação à qualidade do ensino. "Éramos referência no quadro de docentes, com mestres, doutores. Com essas demissões, esse quadro foi diminuído e a qualidade do curso pode ser deteriorada", diz Henrique Malange, de 20 anos, que está no 7.º semestre de Administração.

O receio é compartilhado pela estudante de Ciências Biológicas Nathalia Gomes, de 21 anos, que, diante da crise na Metodista, já planeja até concluir a graduação em outra universidade. "Pessoas que pensavam em vir para a Metodista estão buscando outras faculdades."

Segundo o sindicato, a instituição também decidiu não iniciar os cursos de licenciatura, exceto Pedagogia, em 2018.

Outro lado

Procurada pela reportagem nesta quinta (14), a Universidade Metodista de São Paulo não comentou as demissões nem o fechamento das graduações.

Estácio de Sá

Mais duas liminares contra demissões da Universidade Estácio de Sá foram concedidas pela Justiça do Pará e de Santa Catarina. A primeira liminar, expedida no Rio de Janeiro, no dia 7 de dezembro, foi derrubada no dia seguinte.

A empresa demitiu 1,2 mil professores em 93 unidades no País logo após a aprovação da reforma trabalhista, o que levou a especulações de que estaria pensando em se aproveitar das novas regras, como a contratação de trabalho intermitente, ou seja, pago por horas trabalhadas.

Em seu parecer, a juíza do Trabalho do Pará Camila Afonso Cavalcanti considerou que "o poder diretivo do empregador para praticar a demissão individual não pode ser estendido para a prática da dispensa coletiva, em razão das naturais consequências do seu ato para uma coletividade de pessoas." Foram 54 demissões no Pará, segundo o parecer.

A Justiça no Pará exigiu que fossem publicados os nomes dos professores dispensados e contratados em cinco dias.

Outro lado

A universidade informou, em nota, que está recorrendo. "A Estácio reafirma sua convicção de que todos os desligamentos foram realizados em estrita observância da legislação brasileira", afirmou. A Estácio negou que vá mudar o regime de contratação dos professores, que será pela CLT, mas admitiu que irá pagar salários menores.

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