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Deputados organizam reação à decisão de Cunha de retomar votação da maioridade penal

Após manobra do presidente da Câmara, Casa conseguiu aprovar nova idade penal de 16 anos

Brasil|Do R7

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Deputados se organizam para protestar contra Cunha no Supremo
Deputados se organizam para protestar contra Cunha no Supremo

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira (2) que um grupo de parlamentares contrários à decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de ter retomado a votação da maioridade penal após uma derrota do tema, vai entrar com um mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) contestando o comportamento de Cunha.

— Vamos mostrar que o presidente está tendo um comportamento reiterado. O presidente tem adquirido o hábito de colocar a pauta até ele vencer.


Molon lembrou o episódio da votação da reforma política, que, após ter sido derrotado no voto distrital, Cunha tinha perdido também no financiamento privado de campanha eleitoral, mas no dia seguinte colocou a proposta com uma pequena alteração no texto para ser votada e venceu.

— Não se trata mais de um caso isolado. Toda vez que ele perde, ele reorganiza e refaz a votação até vencer.


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Segundo o petista, o documento será assinado por parlamentares de vários partidos e está sendo preparado com cautela.


— Queremos fazer uma coisa bem feita para ter êxito.

No caso da reforma política, parlamentares também entraram com um mandado de segurança para suspender a votação, mas o pedido foi negado pela ministra Rosa Weber.


Ontem, após a aprovação da matéria, Cunha disse que estava tranquilo e que tinha apenas cumprido o regimento da Casa.

— Não há o que contestar. Ninguém é maluco. Não tomaremos decisões que sejam contra o regimento.

Ele disse ainda não acreditar em sucesso dos parlamentares na Justiça.

— Duvido que alguém tenha condições de tecnicamente me contestar uma vírgula.

Molon disse que o momento vivido pela Câmara é "extremamente preocupante" e que nem Cunha nem o regimento da Casa estão acima da Constituição brasileira.

— Não é só o conteúdo da medida que preocupa. É a forma como ela foi aprovada. Ele está sempre do lado que vence. Se não vencer, não acaba, e isso é um perigo para a democracia.

Questionado sobre o que achava de o presidente da Casa ter direito a voto em avaliações de PEC, como o próprio Cunha manifestou o desejo ontem, Molon afirmou: "Todo poder que o presidente Cunha tem ainda lhe parece pouco".

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