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Entidades e empresas querem mais diálogo sobre lei contra fake news

Setor considera o projeto de lei prematuro e afirma que ele conflita com direitos básicos de liberdade de expressão e com o Marco Civil da Internet

Brasil|Márcio Neves, do R7

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Setor quer um debate mais aprofundado sobre o tema antes de aprovação de lei
Setor quer um debate mais aprofundado sobre o tema antes de aprovação de lei

Empresas de serviços na internet, entidades de direito digital, serviços de checagem de notícias e até o CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil) veem como prematura a discussão do projeto da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, e pedem mais diálogo sobre o tema.

Leia mais: Senado deve votar hoje projeto de lei para combater fake news

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O presidente do Senado Federal, David Alcolumbre, anunciou na semana passada que iria colocar o projeto, de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), e dos deputados Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tabata Amaral (PDT-SP), em pauta na sessão virtual desta terça-feira (2).

Segundo empresas e entidades do setor, o projeto foi apresentado a poucos meses e seu texto é vago frente aos seus objetivos, para um tema considerado sensível em vários aspectos.

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"Foram enviados [..] Ofícios aos Presidentes da Câmara Federal e do Senado e aos líderes dos partidos no Congresso Nacional recomendando que se ampliem e aprofundem os debates, com a participação efetiva do CGI.br, assim como de todos os agentes interessados, antes que matéria de tamanha relevância para a garantia das instituições democráticas do país seja votada", defendeu em nota o CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

O texto que será analisado pelo Senado Federal, inclusive, já passou por várias mudanças, eliminando pontos diretamente relacionados ao combate a fake news, e que foram criticados por impactarem diretamente no direito constitucional de liberdade de expressão, e passou a focar mais em coibir robôs e a criação de perfis falsos na internet.

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"O PL (Projeto de Lei) traz preocupações importantes, mas com um prazo exíguo [muito pequeno] para discussão e medidas de grande risco a direitos", alertou o Internet Lab, grupo que promove o debate acadêmico das áreas de direito e internet.

Entre os pontos polêmicos está a obrigatoriedade de exigir documentos para a criação de perfis, o que segundo especialistas exigiria mudanças consideráveis na política de dados, contradições referentes a responsabilidade de conteúdos que foram definidos no Marco Civil da Internet e o risco de que, uma vez aprovada, a lei, mesmo com as mudanças feitas em cima da hora, ainda venha a ferir a liberdade de expressão.

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"Nos colocamos ao lado de organizações de defesa dos direitos na internet ao apoiar que projetos de lei sejam resultado de amplo debate público, para garantir que não representem ameaça à liberdade de expressão e para evitar que tragam insegurança jurídica ao setor.", afirmou o Facebook, que administra uma das maiores redes sociais do mundo e que seria sensivelmente impactada pelo projeto de lei em discussão.

Críticas

A falta de debate e pressa em discutir o projeto de lei também foi alvo de críticas por empresas de checagem de notícias e outros grupos especializados em direito digital.

"Com conceitos vagos sobre desinformação e verificação, projeto de lei contra 'fake news' fere liberdades", definiu a empresa de checagem de notícias Aos Fatos, um das pioneiras do setor, em um editorial que criticou qualquer método de auditoria no trabalho de empresas de atuação semelhante, e prevista em uma das versões do texto do projeto de lei apresentado.

Por sua vez a entidade Coalização por Direitos na Rede, que reúne 34 órgãos do setor de internet, publicou em seu site que o PL que geral "conflitos com diretrizes internacionais de proteção à liberdade de expressão”e defendeu uma ampliação do debate sobre o tema.

"A Coalizão Direitos na Rede solicita que o Parlamento brasileiro considere as questões aqui apresentadas e não vote os projetos em pauta neste momento, não antes da concretização de um amplo e participativo debate, que ouça todos os setores que serão atingidos pela proposta", escreveu o grupo.

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