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Exército nega que atende apenas a venezuelanos em Roraima

Boatos que correm em Pacaraima, cidade na fronteira com a Venezuela, apontavam que a ambulância do local não poderia ser utilizada por brasileiros

Brasil|Márcio Neves e Diego Junqueira, enviados especiais do R7 a Pacaraima (RR)

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Exército afirma que atendimento "independe da nacionalidade"
Exército afirma que atendimento "independe da nacionalidade"

O Exército brasileiro negou nesta quinta-feira (30), em resposta ao R7, que o serviço de ambulância na cidade de Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, sirva apenas para atendimento dos refugiados que chegam ao país com problemas de saúde.

A ambulância utilizada pela Operação Acolhida na fronteira, sob responsabilidade do Exército, virou centro de uma polêmica na cidade de 12 mil habitantes após a agressão contra um comerciante local há duas semanas, cometida supostamente por quatro venezuelanos, e que levou a uma onda de ataques a imigrantes que viviam nas ruas, culminando com a expulsão de 1.200 deles do Brasil.


Após ser ferido gravemente na cabeça, o comerciante Raimundo Nonato de Oliveira, de 55 anos, foi transferido para o Hospital Estadual Délio Tupinambá, onde chegou com intensa perda de sangue e necessidade urgente de transfusão. A ambulância do local, no entanto, tinha saído momentos antes com outro paciente para Boa Vista, vítima de infarto.

Raimundo ficou ferido após um assalto que tem venezuelanos como suspeitos
Raimundo ficou ferido após um assalto que tem venezuelanos como suspeitos

A unidade então solicitou o apoio de uma ambulância ao Batalhão de Fronteira do Exército Brasileiro, justamente a utilizada pela Operação Acolhida, mas testemunhas que presenciaram o atendimento afirmam que o empréstimo da ambulância foi negado sob o argumento de que ela estaria "com o retrovisor quebrado e não poderia sair do quartel nesta situação".


Moradores da cidade e mesmo funcionários do hospital entrevistados pela reportagem do R7 na semana passada chegaram a comentar que a ambulância não deixou o quartel para atender a vítima porque o veículo "só atende a venezuelanos".

Após uma semana de insistentes pedidos da reportagem, o Exército respondeu oficialmente nesta quinta-feira, por meio de nota, e declarou que "em momento algum houve recusa no atendimento de remoções durante toda a Operação Acolhida. Utiliza suas ambulâncias para a remoção de pacientes, independentemente da nacionalidade, inclusive em demandas solicitadas pelo HDOT (Hospital Délio Tupinambá) e Unidade Básica de Saúde de Pacaraima, quando essas não possuem meios de remoção".


Ainda segundo o Exército, "a Base de Pacaraima recebeu um pedido do Hospital Délio de Oliveira Tupinambá de apoio de ambulância para o transporte de um morador. Antes da confirmação de que o pedido seria atendido e que o paciente seria transportado com a ambulância da Força-Tarefa, soube-se que este já havia sido embarcado em um veículo e estava a caminho de Boa Vista, o que impediu a execução do apoio por parte da Força Tarefa".

Até maio passado, não havia nenhuma ambulância na cidade fronteiriça. O hospital estadual foi alvo de uma ação do Ministério Público de Roraima, revelado em primeira mão esta semana pelo R7. O MP cobra melhorias na unidade, desestruturada por falta de investimentos públicos. O hospital estadual na cidade fronteiriça carece de investimentos há anos e é incapaz de atender a ocorrência de média e alta complexidade..


A Justiça em primeiro grau atendeu parcialmente ao pedido do MP e cobrou duas ambulâncias para o local, o que teria garantido o transporte de seu Raimundo naquele dia, mas o Estado cedeu apenas um veículo, pertencente ao Corpo de Bombeiros.

Na noite do dia 17, após ser atacado em sua casa, Oliveira acabaria sendo transportado em seu veículo particular até Boa Vista, a 200 km de distância. Na metade do caminho ele cruzou com a ambulância, que já vinha retornando a Pacaraima e acabou concluindo o transporte até a capital. Ele foi atendido e recebeu alta no dia seguinte.

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