PMs votam por encerrar motim no Ceará e voltam ao trabalho na 2ª

Eles cruzaram os braços nas últimas semanas. Caso ganhou repercussão após senador Cid Gomes ser baleado. Governo enviou reforço ao estado

PMs votam por encerrar motim no Ceará e voltam ao trabalho na segunda

Policiais em greve decidiram voltar ao trabalho

Policiais em greve decidiram voltar ao trabalho

Foto: JOÃO DIJORGE/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO PHO20200219046 - 19/02/2020

Os policiais militares do Ceará que promoveram um motim nas últimas semanas decidiram na noite deste domingo (1º) encerrar a paralisação. Eles deverão voltar ao trabalho na segunda-feira (2).

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A decisão acontece no dia em que o grupo recebeu uma nova proposta da comissão especial formada por membros dos três poderes. Um dos pontos do acordo prevê que não haverá anistia aos policias envolvidos na greve ilegal.

Contudo, a proposta inclui o direito dos policiais a responderem a um processo legal sem perseguição, com amplo direito a defesa contraditório, a ser feita por instituições sem ligações com o Estado, como a OAB, o Exército e a Defensoria Pública.

De acordo com a agência Estado, o acordo também prevê que o governo do Ceará não irá transferir os policiais que participaram do motim para trabalhos no interior no prazo de 60 dias. 

Ao todo, 230 policiais militares respondem processos administrativos e foram afastados por 120 dias. Os agentes estão fora da folha de pagamento e podem ser expulsos da corporação. Na última sexta, 28, a Justiça decretou a prisão preventiva de 43 policiais presos em flagrante.

Histórico

Os protestos começaram no meio de fevereiro, quando os policiais apresentaram reivindicações como aumento salarial. O caso ganhou impacto nacional quando o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado ao tentar entrar em um batalhão da PM onde havia policiais amotinados, na cidade de Sobral. Cid dirigia uma retroescavadeira.

O número de mortes no estado disparou no período em que os policiais deixaram de trabalhar, levando o governo federal a intervir. Por meio de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem, mais de 2.500 passaram a patrulhar Fortaleza.