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Ação terrorista do Hamas não justifica Israel matar inocentes, diz Lula

Presidente criticou 'falta de sensibilidade' e acredita que ONU 'está enfraquecida'; petista também comentou ataque a escola de SP

Brasília|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

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Prédio destruído em Gaza após ataque de Israel
Prédio destruído em Gaza após ataque de Israel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar, nesta terça-feira (24), o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Lula criticou os dois lados do confronto. "Não é porque Hamas cometeu um ato terrorista contra Israel que Israel tem que matar milhões de inocentes. Não é possível que as pessoas não tenham sensibilidade", declarou, durante o programa Conversa com o Presidente. As mortes em decorrência da guerra no Oriente Médio ultrapassaram 7.000 nesta terça.

Lula também criticou a atuação "enfraquecida" da Organização das Nações Unidas (ONU). "Se a ONU tivesse força, a ONU poderia ter interferência maior, os Estados Unidos poderiam ter interferência maior, mas as pessoas querem guerra e estimular o ódio. Eu não vejo assim. Podem me criticar quanto quiserem, vou continuar falando em paz e diálogo e continuar chorando pela morte das crianças", completou.

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York, onde participou, na manhã desta terça, de um debate no Conselho de Segurança da ONU sobre a situação no Oriente Médio. "Não devemos perder de vista as causas desse conflito — opressão, desigualdades sociais e econômicas e recorrentes violações de direitos humanos. 2023 marca os 75 anos do começo do conflito entre Israel e Palestina. É desanimador ver a falta de progresso nos processos de paz", lamentou o chanceler.

Ao citar os meninos e as meninas vitimados no Oriente Médio, o presidente comentou o ataque a tiros na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo. "O outro pegou uma arma do pai para matar. Onde nós estamos? Que mundo queremos criar?", questionou.

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"Essa minha indignação contra a pobreza e a desigualdade está virando uma indignação contra a burrice do ser humano, a ignorância. As pessoas não estão mais sendo humanas, estão sendo irracionais", refletiu.

Resolução

Durante a entrevista desta terça, Lula disse que a questão entre Israel e a Palestina é "simples" de ser resolvida. "É preciso que a gente consiga que, lá no Oriente Médio, Israel fique com um território seu, demarcado pela ONU, e os palestinos tenham o direito de ter sua terra. É simples assim. Não precisa ninguém ficar invadindo a terra de ninguém, e a ONU não faz nada porque está enfraquecida", afirmou.

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Lula também ressaltou as ligações que tem feito com líderes de outros países desde que o conflito no Oriente Médio teve início. O petista deve conversar com os presidentes da China, da África do Sul e do Catar em breve.

"Esse é meu papel, tentar criar condições para que a gente possa voltar a sentar numa mesa de negociação. Estou, na verdade, cansado de fazer telefonemas, mas vou continuar fazendo porque acredito nisso. Fizemos aquilo que era possível fazer", declarou.

Diálogo

Segundo o presidente, as conversas com outros líderes têm focado a garantia de três pontos: corredor humanitário para a entrada de suprimentos básicos; fornecimento de energia elétrica a hospitais; e impedimento da morte de crianças. Lula também tem debatido a saída dos brasileiros da Faixa de Gaza.

"Não tem exemplo na humanidade de guerra em que quem morre mais é criança, que não está na guerra. E criança dos dois lados. Não queremos que morra ninguém. Quero liberar os brasileiros que estão na Faixa de Gaza. Temos crianças e mulheres, que estão sofrendo o tormento dos tiros, das bombas e dos foguetes", lamentou.

Lula sugere que o conflito seja resolvido por meio do diálogo. "Se você não falar em paz todo dia, as pessoas esquecem que é possivel construir a paz. Quando vejo autoridades falarem em guerra, não é assim que se resolvem problemas. Numa mesa de negociação, não morre ninguém. Custa mais barato, e a gente pode encontrar solução", completou.

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