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Relação com Marielle era ‘maravilhosa’ e ‘perfeita’, diz Chiquinho Brazão à Câmara

Deputado voltou a negar a acusação de envolvimento no assassinato; Conselho de Ética analisa cassação do mandato do parlamentar

Brasília|Hellen Leite, do R7, em Brasília

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Chiquinho Brazão em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara TV Câmara/Reprodução

O deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) voltou a dizer tinha um bom relacionamento com a vereadora Marielle Franco quando ambos eram parlamentares na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. “Por mais incrível que pareça, minha relação com Marielle era maravilhosa. A Marielle ia bater papo, falar, ela sempre pedia um chicletinho. Quando ela fazia a fala dela, muitas das vezes, ela falava comigo. Minha relação com essa jovem sempre foi perfeita”, disse.

A declaração ocorreu nesta terça-feira (16) durante depoimento no Conselho de Ética na Câmara dos Deputados no processo que analisa a cassação do mandato de deputado de Chiquinho. Ele está preso desde 24 de março, após ser apontado como um dos mandantes da execução da vereadora carioca e do motorista dela, Anderson Gomes.


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“Eu sou inocente, somos, na verdade, vítimas, assim como, infelizmente, foi a vereadora Marielle. Não dá para calcular, eu tenho uma filha da idade da Marielle e não dá para pensar numa situação dessa”, afirmou. Chiquinho também negou qualquer relação com grupos milicianos no Rio de Janeiro.

O deputado carioca afirmou não saber por que ex-policial militar Ronnie Lessa o apontou como mandante do crime, mas sugeriu que possivelmente ele esteja “protegendo alguém”.


Lessa foi o autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson. Ele afirmou aos investigadores, em delação premiada, que Domingos e Chiquinho Brazão teriam encomendado o crime e que seria uma vingança contra o ex-deputado estadual Marcelo Freixo e a ex-assessora dele Marielle Franco. Os três, segundo os investigadores, travavam disputas na área política do estado.

Os embates teriam começado em 2008, quando Freixo presidiu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das milícias na Assembleia Legislativa do Estado e citou Domingos Brazão, então deputado estadual, como um dos envolvidos com grupos paramilitares.


Nos anos seguintes, a relação teria piorado. Nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do estado em 2015, com a oposição de Freixo, Brazão foi preso e afastado temporariamente do cargo dois anos depois por suspeita de corrupção. No entanto, foi reconduzido em 2021.

A motivação do crime teria sido um embate entre Marielle Franco e Chiquinho Brazão em torno de um projeto de lei, de autoria de Brazão, que regularizava terrenos dominados pela milícia. Marielle era contra o projeto e considerada o principal ponto de resistência dentro da Câmara de Vereadores.


Depoimento de Domingos Brazão

Mais cedo, o Conselho de Ética ouviu Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro e irmão de Chiquinho Brazão, também suspeito de envolvimento com o crime. Durante seu depoimento, Domingos chorou e negou qualquer ligação ou contato com grupos milicianos.

“O parlamento tem que fazer justiça ao Chiquinho Brazão. Isso é um erro irreparável. Eu confio na Justiça”, disse Domingos Brazão, chorando. “Vai ficar essa sequela desse sofrimento, você saber que é inocente, você ficar em uma penitenciária federal. Perdi quase 20kg, não poder ver os seus amigos. A gente é inocente”, completou.

Domingos também negou que tenha relação com grupos milicianos e disse que não conhecia Marielle pessoalmente. “Não existe relação nenhuma com esse tipo de gente [grupos milicianos] no Rio de Janeiro. Essa falácia não procede”, afirmou.“Um absurdo o que aconteceu com a vereadora. Infelizmente no Rio de Janeiro já aconteceu com vários outros parlamentares. Eu pessoalmente não conheci a vereadora, mas é claro que é um absurdo esse crime e tem que ser punido com rigor”, disse.

Outros depoimentos

Também depuseram no Conselho de Ética o conselheiro e vice-presidente do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Thiago Kwiatkowski Ribeiro; o ex-deputado estadual Carlos Alberto Lavrado e o delegado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro Daniel Freitas Rosa.

Na segunda-feira (15), a comissão colheu o depoimento do delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro e preso por suposta obstrução das investigações sobre a morte da vereadora e do motorista. No depoimento, Barbosa declarou que não teve influência nas investigações e que nunca teve contato com os irmãos Brazão.

A investigação da Polícia Federal revela que o delegado interferiu nas investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele também teria ajudado a planejar o crime e oferecido proteção aos mandantes, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. No depoimento, o delegado negou todas as acusações. Barbosa depôs de forma virtual, já que está preso desde 24 de março.

“Eu não fiz nada. A única coisa que eu fiz foi indicar o delegado que prendeu o Ronnie Lessa, o delegado Giniton [Lages], com provas técnicas. Eu nunca falei com nenhum irmão Brazão, nunca falei com essas pessoas na minha vida. Eu não existo para eles, e eles não existem para mim”, afirmou.

Segundo o inquérito da PF, o ex-chefe da Polícia Civil também fez um acordo com a dupla que garantia o não avanço das investigações. O delegado Giníton Lages — primeiro a ficar à frente das investigações do caso Marielle na Divisão de Homicídios — e o comissário Marco Antônio Barros também são investigados por atrapalhar as investigações.

Rivaldo também afirmou que os irmãos Brazão foram investigados pela Polícia Civil, mas disse não conhecer o conteúdo da apuração. “Eu tinha 170 delegacias. A única coisa que sei é que todos foram investigados, inclusive os irmãos [Brazão]. Todas as informações que chegavam ao delegado Giniton, ele abria uma ala para que fosse investigado. A Polícia Civil quebrou o sugilo deles [irmãos Brazão] e da família toda”, comentou.

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