Após se declarar presidente eleito, Flávio faz nova carta e se diz líder do Brasil
Senador também mudou versão anterior da carta por usar brasão com nome antigo do Brasil
Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou a carta divulgada nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos, e retirou duas referências em que se apresentava como “presidente eleito” do Brasil.
Na nova versão, o parlamentar substituiu a expressão por “líder do Brasil” na abertura do documento e trocou “eu sou o presidente eleito” por “eu sou o líder” em outro trecho.
A primeira versão da carta começava com a frase: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No texto alterado, a apresentação passou a ser: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”.
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A segunda mudança aparece em um trecho dirigido aos eleitores. Na versão inicial, Flávio afirmava que era “o presidente eleito” e acusava adversários de terem roubado a eleição.
Na versão revisada, ele passou a se definir como “o líder”, mas manteve as acusações contra o processo eleitoral.
‘Estados Unidos do Brazil’
Além de mudar o teor da carta, Flávio corrigiu o documento para trocar o brasão da República. Primeiro, ele divulgou a carta com um brasão antigo do Brasil, que trazia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”.
Depois, ele trocou para o brasão atualizado, com a denominação oficial “República Federativa do Brasil”.

O nome “Estados Unidos do Brasil” foi adotado após a Proclamação da República, em 1889, e permaneceu em uso oficial por décadas. A denominação foi substituída por “República Federativa do Brasil” com a Constituição de 1967.
O que diz a carta de Flávio?
Flávio publicou a carta nas redes sociais depois de ir embora do Brasil após perder a eleição presidencial.
No documento, o senador contesta o resultado do segundo turno. Ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu 64.256.232 votos válidos (51,79%), contra 59.826.041 de Flávio (48,21%).
Sem apresentar provas, o senador diz na carta que viu “estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”.
“A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.”
Agradecimento a Trump e Milei
Flávio também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao povo americano. Também elogia o presidente argentino, Javier Milei.
Antes de embarcar aos EUA, o senador, acompanhado pela mulher e as duas filhas, deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina. Flávio recebeu uma autorização excepcional e temporária, conhecida como parole, ao entrar nos Estados Unidos. Ele poderá permanecer no país assim por um ano.
O senador afirma na carta que decidiu sair do país em busca de segurança jurídica e para continuar sua atuação política. Ele nega que tenha fugido do país e declarou que pretende manter a mobilização de seus apoiadores no exterior.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois, calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”
Flávio também diz que “não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar”.
“Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.”
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