Associações de magistrados repudiam fala de Flávio Dino sobre corrupção no Judiciário
Entidades criticam afirmação sobre “momento mais corrupto” e dizem que suspeitas recaem sobre indivíduos, e não sobre a classe
Brasília|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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Após o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmar na sessão plenária desta terça-feira (15) que o país atravessa o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”, associações de magistrados publicaram manifestações de repúdio à declaração.
Em nota, a AJURIS (Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul) alegou que a fala do ministro é “generalista” e atinge a credibilidade de toda a classe.
“Se há suspeitas a serem apuradas, elas dizem respeito a fatos e pessoas determinados e não autorizam extensão indiscriminada a toda a carreira. A magistratura brasileira é composta, em sua ampla maioria, por homens e mulheres que ingressaram na carreira por concurso público, submetidos a rigorosos requisitos de independência e responsabilidade funcional, e que exercem sua atividade distantes dos holofotes”, afirmou a entidade.
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A associação utilizou ainda as palavras proferidas pela ministra Cármen Lúcia durante seu voto na mesma sessão plenária.
“Como bem lembrado pela Ministra Cármen Lúcia nesse mesmo julgamento, ‘o Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo’, o que exige dos membros da Suprema Corte atuação pautada pela ponderação, firmeza e responsabilidade institucional para a superação deste momento de crise histórica”, pontuou o documento.
Outra entidade a se manifestar foi a AMC (Associação dos Magistrados Catarinenses), que acusou o Supremo de projetar “situações individuais” sobre os magistrados na tentativa de “desviar o foco” de crises restritas à “cúpula de Brasília”.
“Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos competentes, com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal. A Magistratura catarinense é composta por Juízes e Juízas que exercem suas funções com independência, ética e compromisso com a sociedade”, declarou a AMC.
“Generalizações dessa natureza fragilizam a confiança nas instituições e desconsideram o trabalho sério realizado diariamente pelo Poder Judiciário”, acrescentou.
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